Em Manaus, Marcha da Resistência cobra direitos da população indígena

Representantes de diversas etnias de 30 municípios amazonenses fizeram uma marcha hoje (19), em Manaus, para chamar a atenção para a preservação dos direitos dos povos indígenas. O ato faz parte da programação organizada pelo Fórum de Educação Escolar Indígena do Amazonas (Foreeia), pela passagem, nesta quarta-feira, do Dia do Índio.

“Para nós, o dia 19 [de abril] é muito importante. É um dia de resistência e de dizer que nós, povos indígenas do Amazonas, estamos aqui em defesa dos nossos direitos. Não é um dia de comemoração para nós, e sim de ir às ruas para dizer ao Poder Público que nós existimos”, afirmou a diretora-presidente da entidade, Clarisse Tukano.

Para Herton Mura, liderança do município de Careiro da Várzea, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que trata da demarcação das terras indígenas, é uma das principais ameaças aos direitos conquistados. A matéria aguarda votação no plenário da Câmara dos Deputados.

“A gente teve muita garantia na Constituição de 1988. O Artigo 231 dá o direito à nossa terra. Essa PEC visa reformular esse artigo 231 e tirar a competência do Poder Executivo de demarcar as terras indígenas e passar para o Poder Legislativo. Se isso acontecer, a gente tem plena consciência de que nunca mais no Brasil haverá demarcação de terras indígenas, porque hoje o Legislativo é composto por uma bancada ruralista favorável ao agronegócio que é declaradamente contra a demarcação das terras indígenas”, afirmou Murta.

Caminhada

A Marcha da Resistência Indígena do Amazonas, como foi chamada, começou por volta de 9h30 e, após uma hora de caminhada, fez uma parada na Assembleia Legislativa do estado. Um grupo de líderes foi recebido por deputados e entregou a eles uma carta de reivindicações. No início da tarde, os indígenas foram para a Universidade do Estado do Amazonas, onde apresentaram outro documento com pedidos relacionados à educação dos povos tradicionais. A marcha também vai passar pelo Distrito Sanitário Especial Indígena de Manaus para discutir a saúde dos índios.

“A primeira preocupação, e também propósito, é fazer com que as instituições e a sociedade saibam o que está acontecendo, porque, afinal de contas, de alguma maneira, o sofrimento e a extinção dos povos indígenas é, sim, responsabilidade da sociedade como um todo, principalmente, das instituições. No caso das universidades e de dirigentes de instituições, são pessoas tomadoras de decisões e formadoras de opinião, que podem ajudar a preservar os direitos e a vida desses povos aqui do estado e do Brasil”, destacou o professor indígena Gersen Baniwa.

Na programação do Dia do Índio ainda está prevista ainda uma noite cultural aberta ao público, no Espaço Kairós, no bairro União, onde os indígenas estão acampados. Para amanhã (20), está marcada uma nova caminhada, que irá até às secretarias municipal e estadual de educação e à sede da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Por: Bianca Paiva
Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Amanda Cieglinski

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