MPF disponibiliza material digital de combate ao racismo e a discriminação contra indígenas

Material didático publicado nesta segunda-feira (15) busca contribuir para a redução do preconceito e da violência contra indígenas em Santarém.

Indígenas ocupam Casai em Santarém reivindicando direito á atendimentos de saúde. (Foto: Reprodução/TVTapajós)

A versão digital do material didático que traz informações que combatem o preconceito contra povos indígenas foi publicado nesta segunda-feira (15), pelo Ministério Público Federal (MPF), com o objetivo de reduzir o número de ocorrências de racismo e discriminação, que segundo denúncias registradas pelo órgão, têm sido frequentes em ambientes escolares ou em meio a disputas de terras em Santarém.

A produção do material começou a partir de um acordo assinado em outubro do ano passado em Santarém, por representantes do MPF, União, Estado e município, motivado por um processo judicial aberto em 2014, após uma ação do MPF que pediu à Justiça que obrigasse a União, o estado do Pará e o município a promoverem com urgência medidas educativas para combater o racismo contra indígenas em Santarém.

O material mostra como os preconceitos são camuflados através de expressões e pensamentos de que os índios são primitivos, aculturados e preguiçosos e como combater essas ideias que têm promovido a violência contra esses povos.

“Nossos antepassados foram massacrados, dispersaram-se por esses rios e matas para sobreviver, precisaram se esconder. Depois foram proibidos de falar a própria língua, foram obrigados a falar a língua do colonizador e negar a própria identidade. Mas, resistentes, sobrevivemos às tentativas de negar a nossa existência. E apesar dos direitos que hoje nos sãos garantidos, continuamos lutando contra toda forma de preconceito que nos nega a demarcação das nossas terras e a gestão de nossos bens naturais, a saúde diferenciada, a educação escolar diferenciada com qualidade, a autodeterminação política e até mesmo o direito ao pertencimento étnico”, diz trecho do material.

Uma versão impressa com tiragem de 15 mil exemplares será distribuída na rede pública de ensino de Santarém. Já o download desse material pode ser feito por este link.

O material

Assinado pela pedagoga especialista em coordenação pedagógica Iára Elizabeth Sousa Ferreira Arapyun, coordenadora da Educação Escolar Indígena da secretaria municipal de Educação de Santarém, e pelo acadêmico de Direito Cauã Nóbrega da Cruz Borari, professor da Língua Nheengatu, o material também teve colaboração do analista jurídico do MPF em Santarém, Rodrigo Magalhães de Oliveira.

Fonte: G1

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