Adotar pecuária intensiva na Amazônia pode dobrar ganhos e zerar desmatamento

Para aproveitar melhor as terras já desmatadas, será preciso adotar uma pecuária mais intensiva.  A boa notícia é que ela dá mais dinheiro.

Um dos maiores desafios para reduzir o desmatamento no Brasil – principalmente na Amazônia – é convencer os pecuaristas a apertar mais bois na mesma área.  Afinal, a expansão das terras para a criação de gado é o maior fator de novos desmatamentos na Amazônia e de boa parte no resto do país.

Para aproveitar melhor as terras já desmatadas, será preciso adotar uma pecuária mais intensiva. A boa notícia é que ela dá mais dinheiro. Talvez até mais do que no modelo de poucos bois por hectare, que leva ao desmatamento acelerado de hoje.

Esse é o resultado de um levantamento feito por Paulo Barreto, pesquisador do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Segundo Barreto, se a pecuária do Pará fosse 80% mais intensiva, seria possível mais do que dobrar a receita bruta do produtor. A receita da pecuária no estado iria de R$ 6,2 bilhões por ano com a pecuária extensiva para até R$ 14 bilhões por ano. Isso sem a necessidade de novos desmatamentos.

Esse dado, resultado de pesquisas feitas por Barreto no ano passado, é dos elementos do novo relatório a ser publicado pelo Imazon.  O relatório “Desmatamento zero no Pará – Desafios e oportunidades” é uma espécie de manual para o fim da devastação.  Ele reúne de forma realista o melhor conhecimento disponível hoje para mostrar as dificuldades em atingir uma meta de desmatamento zero, seja desmatamento ilegal zero (quando ainda se pode cortar o que a lei permite) ou desmatamento líquido zero (quando qualquer supressão de vegetação precisa ser compensada).  O estudo também mostra as medidas necessárias para alcançar os objetivos e as oportunidades para realizar isso com o mínimo de sofrimento e talvez até alguns ganhos.  No caso da pecuária, os ganhos prometem compensar.

O gráfico mostra como a receita bruta da pecuária (amarelo) evolui com maior proporção de produtores adotando criação intensiva (laranja) (Foto: reprodução)

Fonte: Blog do Planeta

Deixe um comentário