É necessário atender a demanda do consumidor por rastreabilidade na cadeia da carne, diz pecuarista

O pecuarista e vice presidente da Associação dos Criadores do Pará (Acripará), Mauro Lúcio Costa defende que é preciso transformar a imagem da agropecuária no Brasil. Associada ao desmatamento, casos de trabalho escravo, além de irregularidades amplamente divulgadas pelas Operações Carne Fraca e Carne Fria, do Ibama e da Polícia Federal, a produção agropecuária vem sofrendo inúmeras pressões para que adote critérios e princípios mais claros.

“Precisamos virar essa página e mostrar que temos trabalho de alta tecnologia, avançadíssimo, com credibilidade e seriedade que podem  dar segurança jurídica a todos nossos consumidores”. E para que isto ocorra e seja alcançada, como definiu Mauro Lúcio a “paz e tranquilidade para o produtor”, a transparência é fundamental.

Somente com ferramentas de rastreabilidade é possível atestar a qualidade e origem da carne produzida no país, e segundo Mauro Lúcio, essa tem sido uma demanda dos consumidores e da sociedade. A fala ocorreu durante o último dia do Beef Expo 2017, o maior evento da cadeia da carne bovina na América Latina, que aconteceu em São Paulo entre os dias 6 a 8.

Mauro Lúcio falou sobre os receios que alguns produtores ainda têm sobre o tema. “As vezes ele [o produtor] tem muito medo, achando que alguém do governo está querendo olhar o que ele produz, mas o que a gente sente é que temos um mercado, um consumidor que está exigindo isso”, afirma. Segundo ele o foco da rastreabilidade precisa ser atender o consumidor.

Além disso, a rastreabilidade, quando bem utilizada, pode se mostrar uma importante ferramenta de controle e melhorar os lucros dos produtores rurais. Mauro Lúcio demonstrou em sua palestra oportunidades como o monitoramento do ganho de peso dos animais, que identifica o desempenho dos animais, selecionando somente os mais adequados e lucrativos para a recria e engorda. Da mesma forma a cria pode ser mais eficiente, ao se monitorar quais animais são mais aptos e por sua vez, mais lucrativos.

Custos

Utilizando dados de uma de suas fazendas, Lúcio apontou reduzir os custos sem aumento da produtividade, pode ser um prejuízo. “Os trabalhos mostram que cada ponto percentual que você melhora na produtividade isso se transforma em 4,8 pontos percentuais de aumento na lucratividade. E cada ponto percentual que você diminui no custo, você melhora 3,5 pontos percentuais na lucratividade”.

Ainda sobre o exemplo que levou em sua apresentação, Mauro Lúcio afirmou que o custo da rastreabilidade é de 0,8% de todas as despesas. “Eu aumento 1% a minha despesa e vou aumentar 10 na lucratividade, então essa conta é extremamente produtiva e muito boa”, afirma.

Fonte: Amazônia.org.br

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