Ação da Força Nacional no Pará expõe tensão social na Amazônia

O efetivo da Força Nacional tem a missão de garantir a segurança de 22 agentes florestais do Ibama.  A rotina de trabalho das equipes é reprimir o desmatamento ilegal, a exploração de madeira sem autorização e os garimpos irregulares

O envio de contingente da Força Nacional de Brasília para Novo Progresso (PA) expõe as dificuldades da atuação do poder público na Amazônia.  Os 100 homens encontrarão no município, à beira da Rodovia BR-163, o resultado de uma política de ocupação causadora da tensão social que caracteriza o sul do Pará e que se repete em outros estados da Região Norte.

A abertura de estradas, como a BR-163 e a BR-230 (Transamazônica), resulta no desenvolvimento que nos mapas aparece como o desenho de uma espinha de peixe.  A via principal deriva para estradas vicinais que rasgam a floresta, inclusive, reservas indígenas.  E com tratores e caminhões surgem madeireiros, grileiros, garimpeiros.  Eles chegam bem antes do poder público e fazem a ocupação sem aval do estado.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) registra que entre 2007 — ano seguinte ao início do asfaltamento da BR-163 — e 2016 aconteceram 2.257 casos de violência no Pará contra posseiros, sindicalistas, líderes de trabalhadores rurais, índios e quilombolas. No mesmo período, ocorreram 361 assassinatos no Brasil ligados a conflitos agrários. Desses, 102 foram no estado. Neste ano, de 48 mortes, 14 aconteceram no Pará.

Segurança

O efetivo da Força Nacional tem a missão de garantir a segurança de 22 agentes florestais do Ibama — a rotina de trabalho das equipes é reprimir o desmatamento ilegal, a exploração de madeira sem autorização e os garimpos irregulares. “Essa é uma região com muito bandido, uma parte do país onde o estado é sempre o último a chegar”, avalia Marcel Bursztyn, pós-doutor em Políticas Públicas do Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB.

O professor identifica contradição no papel que o poder público exerce na Amazônia. “As diferentes pastas que atuam na região não trabalham em sintonia, cada uma atira para um lado”, ressalta. Até o fechamento desta edição, o Correio não conseguiu resposta do Ministério da Justiça sobre o assunto.

Por: Luís Cláudio Cicci
Fonte: Correio Braziliense

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