Agropecuária depende de política pública, diz Roberto Rodrigues

Ex-ministro participou de evento em Alta Floresta que debateu as perspectivas do agronegócio no Brasil

Entre 1991 e 2017, a área utilizada para plantação de grãos no país aumentou 59%, enquanto a produção cresceu mais de 300%. Esse ganho de produtividade poupou 89 milhões de hectares de terras (que possivelmente viriam do desmatamento). Esses dados foram lembrados por Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e coordenador do FGVAgro, durante palestra realizada, no final da semana passada, a 1ª Tecnoalta, evento que debateu as perspectivas do agronegócio brasileiro em Alta Floresta, Mato Grosso.

Segundo Rodrigues, essa é a prova da sustentabilidade da agricultura brasileira e de que não há justificativa para o desmatamento ilegal no país. “A agropecuária brasileira ainda pode crescer 40%, pois temos tecnologia, terra e gente, mas é preciso estratégia pública e privada”, disse.

Para o ex-ministro, a agricultura depende de política pública, para garantir a estabilidade da atividade produtiva, tanto no que se refere à renda no campo, quanto para assegurar o abastecimento urbano. O Programa ABC, que financia agricultura de baixo carbono, é uma dessas políticas.

“A região de Alta Floresta é um paraíso para a integração Lavoura-Pecuária, que é financiada pelo ABC, e propicia duas culturas na mesma terra para termos grão e carne. Trabalhamos no Observatório ABC – iniciativa do FGVAgro – para desentupir esse sistema. O Brasil assumiu o compromisso com o Acordo de Paris de diminuir as emissões. Se mexermos de verdade no Plano ABC, teremos as duas coisas: comida na boca do consumidor e menos emissões para o mundo todo”, avaliou. O Plano ABC é a política brasileira para agricultura de baixo carbono, do qual o Programa ABC faz parte.

Roberto Rodrigues defendeu, ainda, políticas públicas de incentivo ao seguro rural – que também ajudariam a impulsionar o Programa ABC – e aconselhou os pecuaristas a criarem cooperativas de frigoríficos para enfrentar a situação atual do setor, afetado por escândalos causados pelas grandes agroindústrias. Afirmou, ainda, que a chave para enfrentar os problemas da pecuária é investir em tecnologia, para recuperação de pastagens e aumento da produtividade. “Temos hoje 15 milhões de hectares para aumentar a agricultura no país e, no mínimo, 10 milhões de hectares virão da liberação de pastos improdutivos”.

Estudo de caso

O Observatório ABC acabou de lançar um estudo de caso, realizado em Alta Floresta (MT), que analisou alguns dos fatores que impactam no desempenho do Programa ABC, considerando o ponto de vista dos produtores rurais. O objetivo principal foi identificar e entender os desafios e restrições percebidos por eles no processo de contratação dessa linha de crédito, criada em 2010 para dar condições para o produtor rural desenvolver sua atividade com menos impacto ambiental e ajudar o Brasil a cumprir suas metas de redução de emissões de carbono no setor agropecuário.

Manter a atratividade da taxa de juros do Programa ABC, bem como fortalecer seu apelo econômico estão entre os desafios, conforme as conclusões do estudo. A falta de conhecimento sobre o Programa foi perceptível na região, recomendando o investimento na capacitação dos multiplicadores locais, a aproximação do produtor ao Programa e a troca de experiência entre eles, o que faria com que projetistas também buscassem se capacitar no assunto.

Fonte: Observatório ABC

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