Pecuária sustentável aumenta produtividade

Empresa aposta em parceria com produtor para implantar gestão eficiente que leva a aumento de produção e adequação ambiental

A implantação de um sistema de pecuária sustentável na Amazônia tem ganhado corpo na região de Alta Floresta, em Mato Grosso, a partir de projetos da Pecuária Sustentável da Amazônia (Pecsa), empresa de gestão a partir de parcerias com proprietários rurais, que trabalha a partir dos referenciais técnicos das boas práticas agropecuárias para bovinos de corte da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Fundada em 2015, após um projeto-piloto capitaneado pela organização não governamental Instituto Centro de Vida (ICV), a Pecsa oferece ao pecuarista sociedade, na qual implanta um sistema de recuperação de pastagens, adequação ambiental, infraestrutura (construção de cercas e sistema de fornecimento de água com reservatório central e bebedouros artificiais, a partir de água encanada, para implantação de sistema rotativo), planejamento nutricional de acordo com a categoria animal e estação do ano, e rastreabilidade.

Os recursos vêm da Altheia, um fundo internacional de investimento em iniciativas de uso sustentável da terra que geram retorno financeiro e benefícios ambientais. Segundo Vando Telles, diretor executivo da empresa, a Pecsa trabalha com agricultura de precisão na produção de capim, para a intensificação sustentável da pecuária. A produtividade tem aumentado entre três e cinco vezes em relação à média da região. Para participar da parceria, o produtor não pode ter desmatamento anterior a 2008.

Um dos parceiros da Pecsa, o produtor Milton Santos conta que foi o primeiro parceiro do projeto ainda na fase piloto, coordenada pelo ICV. “Resolvi apostar porque, com a morte subida da pastagem [fenômeno comum na região] meu capim morreu todo. Fui o primeiro também a assinar com a Althea e confiei na proposta. Discutimos o contrato e está indo muito bem, tudo está sendo cumprido”, diz.

Natural do Paraná, Santos conta que veio para Alta Floresta nos anos 1970 com o pai, também agricultor, após uma geada que matou a produção de café da família. O projeto com a Pecsa está sendo implantado em 534 hectares dos 805 hectares da fazenda Mitaju, cujo nome homenageia Milton, a esposa (Ivone) e os filhos (Tatiane e Júnior). “Somos sócios da Pecsa. Sou dono da terra, de um trator e da tropa de seis equinos para trabalho, além de 10.008 arrobas de boi. A Pecsa ficará na fazenda seis anos e meio e, durante esse período, tenho porcentagem na venda do gado. Quando saírem, tenho tudo o que era meu de volta e a fazenda toda reformada”, explica.

O pecuarista acredita que esse é o futuro da pecuária: rotacionada em áreas pequenas, com adubação da pastagem e redução da idade de abate do gado. “A pecuária nunca foi organizada, está 50 anos atrás da agricultura. Por isso, esse projeto veio em boa hora”.

Investimento próprio

A intensificação da pecuária, no entanto, tem crescido na região do norte de Mato Grosso a partir também de iniciativas e investimentos próprios dos produtores. Rodrigo Agustini tem desenvolvido a intensificação na fazenda Estância Califórnia “por necessidade e produtividade”. Segundo ele, a propriedade é modelo na região, com produção de 35 arrobas por hectare. “Não tenho crédito, por isso estou implantando devagar, mas neste ano quero encostar em 40 arrobas por hectare”.

Além da recuperação de pastagem, o pecuarista também trabalha com plantação de teca, para sombreamento voltado para o bem-estar do gado. “Meu objetivo é ter mais quantidade de gado por área e, para tanto, trabalho com genética, sanidade, nutrição e bem-estar animal. Também tenho usado cada vez menos herbicida. Essa é uma fazenda pequena, de 67 hectares, mas temos outras maiores. Aplicamos nesta para ver se o sistema dava certo e agora estamos levando para as demais”, completa.

Fonte: Observatório ABC

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