Bancada ruralista garante a manutenção de Temer na Presidência

Para se manter no poder, presidente negociou com parlamentares de forma escancarada, oferecendo emendas, nomeações, anistias, verbas e apadrinhamentos a aliados

Sonia Guajajara e diversos ativistas protestam em Oslo contra o presidente Michel Temer

Temer fica.  Com popularidade-quase-traço e mesmo após uma pesquisa Ibope revelar que 81% dos brasileiros querem Temer fora do poder, a maioria dos Deputados decidiu que ele permanece na presidência.  A decisão pouco tem a ver com o bem comum ou com os interesses do país.  Trata-se de negócios.

Há algumas semanas, o impacto das gravações feita nos subterrâneos do Palácio do Jaburu e as imagens de uma mala cheia de dinheiro reveladas pela JBS davam a Temer pouca esperança de permanecer no cargo. Situação difícil, mas o presidente, ele mesmo parlamentar de muitos mandatos, sabe bem como convencer boa parte de seus colegas Deputados.

De forma escancarada, transformou o Congresso Nacional num balcão de negócios e usou tudo o que o cargo oferece para salvar a si próprio: emendas, nomeações, anistias fiscais, distribuição de verbas e apadrinhamento de aliados. A farra dos políticos foi patrocinada com o dinheiro público que falta para a saúde, para a educação, para a segurança pública e que faz o país agonizar num mar de desemprego e desesperança.

Responsáveis por catapultar Temer à Presidência da República, a bancada ruralista da Câmara teve tratamento especial na troca de favores para mantê-lo no poder. Para estes Deputados, além do assalto aos cofres públicos, Temer se apressou em colocar o carro na frente dos bois e consolidar um plano que esfacela importantes conquistas socioambientais e de direitos humanos construídas ao longo de 30 anos de regime democrático.

O que está em curso é um ataque sem precedentes sobre as terras públicas brasileiras. O objetivo é abrir essas áreas – protegidas ou não – aos grandes interesses econômicos ou tirá-las do caminho quando representam entraves à sua expansão. Entregar terras públicas a grileiros da Amazônia, flexibilizar o licenciamento ambiental, atacar as unidades de conservação, os direitos indígenas e suas terras, liberar o uso e o registro de agrotóxicos e permitir a venda de terras para estrangeiros, entre outros, são alguns dos itens que compõem o cardápio de atrocidades negociadas.

Protesto contra política ambiental de Michel Temer em Oslo (Foto: Fernando Mathias)

Parte desses retrocessos já se tornaram realidade, com prejuízos que também podem ser medidos em cifras. Apenas com o benefício à grilagem de terras, o país deverá abrir mão de cerca de R$ 19 bilhões em patrimônio público. Outra medida provisória, a do Funrural, pode gerar uma anistia de dívidas que pode atingir a casa dos R$ 8 bilhões. Enquanto os cofres eram escancarados em busca de apoios, a polícia Federal anunciava o fim de operações de combate ao trabalho escravo no país por falta de verbas. Para os ruralistas, uma dupla vitória.

Segundo a Procuradoria Geral da República, outras denúncias contra o presidente serão encaminhadas à Câmara. Para se garantir no cargo, Temer deverá continuar sua vergonhosa jornada de ceder às vontades do Congresso ruralista, disposto a rifar ainda mais o meio ambiente e os direitos da população. Com Temer na presidência e um Congresso que há muito virou as costas para a população, o Brasil acelera na marcha-ré e destrói qualquer sentido de Nação, em nome de interesses privados e de privilégios econômicos para grupos de apadrinhados. Mais do que nunca, é preciso lutar, denunciar e resistir ao desmonte dos direitos sociais e à destruição do meio ambiente.

Fonte: Greenpeace

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