Chefe de fiscalização do Ibama é ameaçada no Pará

“Tem que meter é uma bala na cabeça dessa vagabunda!!!!!”

A ameaça, publicada no Facebook e dirigida à chefe da fiscalização do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) para o sudoeste do Pará, Maria Luiza de Souza, ocorre em meio à crescente hostilidade contra agentes ambientais no entorno da BR-163.

Mata derrubada para formação de pasto em Novo Progresso (PA)

Na semana passada, cem homens da Força Nacional foram enviados a Novo Progresso (1.630 km de Belém) após oito caminhonetes novas destinadas ao Ibama terem sido incendiadas, em 7 de julho.

A região é o principal foco de desmatamento ilegal na Amazônia. Mesmo assim, o presidente Michel Temer enviou ao Congresso um projeto de lei que retira 349 mil hectares da Floresta Nacional do Jamanxim, para legalizar grileiros e posseiros que ocupam a unidade de conservação.

O ataque a Souza, acompanhado de outras ameaças, como “Logo queimam essa vagabunda”, aparece nos comentários de um texto publicado por Adecio Piran, diretor do jornal “Folha do Progresso”, o principal da região.

Piran deturpou uma declaração de Souza publicada pela Folha em 11 de junho no qual a agente do Ibama criticou a exploração de recursos ambientais na Amazônia: “É aquela coisa do extrativismo: vamos tirar, acabar tudo e depois a gente vê o que dá.”

Em seu artigo, o blogueiro deu a entender que a frase era uma orientação de Souza contra infratores ambientais após a chegada da Força Nacional: “A ordem é para destruir tudo; depois a gente vê o que dá, disse chefe da fiscalização Maria Luiza”, lê-se no título.

“Novo Progresso tem sérios problemas de ilegalidade com relação à legislação ambiental, envolvendo grileiros, garimpeiros e madeireiros. Nesse quadro, a gerente do Ibama que responde pela região tem recebido perigosas ameaças, que já estão sendo todas devidamente investigadas pela Polícia Federal”, diz a presidente do Ibama, Suely Araújo, que determinou o bloqueio de todas as serrarias da região em resposta à queima das caminhonetes.

“A fiscalização ambiental do Ibama não será bloqueada por pressões de criminosos”, completou Araújo.

O autor da ameaça é Ademir Lourenço de Oliveira. Em seu perfil no Facebook, se apresenta como morador de Trairão, outra cidade da região, cuja economia gira em torno do garimpo e da exploração ilegal de madeira.

Em uma das fotos em seu perfil, Oliveira aparece diante de um caminhão carregado de toras. Um amigo aconselha nos comentários: “Cuidado com o Ibama, brother”. A resposta foi três emojis de joinha.

Procurado, Oliveira não respondeu à reportagem.

Por: Fabiano Maisonnave
Fonte: Folha de São Paulo

Deixe um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*