Plano ABC pode reduzir 51,8 milhões de toneladas de emissões de carbono na atividade pecuária em apenas um ano

Resultado significa que em apenas um ano seria possível atingir entre 32% e 39% da meta total de redução de emissões prevista para o programa

Estudos divulgados ontem pelo Programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) apontam que as metas de redução das emissões na atividade agropecuária do Plano ABC não só são alcançáveis com prazos muito menores como também custam menos do que o previsto. O lançamento aconteceu em São Paulo, na sede da FGV.

Os relatórios Impactos Econômicos e Ambientais do Plano ABC e Análise dos Recursos do Programa ABC, apontam que alcançar as metas de recuperação de pastagens e integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) possibilitaria uma redução de até 51,8 milhões de toneladas de carbono equivalentes (t CO2 eq.) Isso significa que em apenas um ano seria possível atingir entre 32% e 39% da meta total de redução de emissões prevista para o Plano ABC como um todo.

O Programa visa recuperar 15 milhões de hectares de pastagens e expandir o sistema de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) em 4 milhões de hectares até 2020 com o objetivo de reduzir as emissões na agropecuária em cerca de 134 milhões a 163 milhões de t CO2 equivalente por meio de práticas e tecnologias capazes de aumentar tanto a eficiência da produção, quanto o uso dos recursos naturais.

A segunda boa notícia é que os custos também são bem menores do que o previsto inicialmente. Angelo Gurgel, coordenador do Observatório ABC, explica que foram usados dois cenários para estimar o que significa o Brasil investir em pastos degradados e iLPF, seguindo os critérios de áreas prioritárias e áreas de livre alocação. “Os resultados obtidos ao forçar o modelo a atingir as metas do ABC apontam custos de R$ 31,3 bilhões, com gastos de recuperação de pastagens, no cenário de áreas prioritárias, e R$ 26,7 bilhões, no cenário de livre alocação”, afirma Gurgel.

No lançamento do Plano ABC, o governo havia estimado gastos de R$ 43,9 bilhões para recuperação de pastagens e R$ 51 bilhões para iLPF. Segundo Gurgel, no entanto, quando o Plano foi lançado, a expectativa era de que, entre 2009 e 2020, fossem disponibilizados R$ 85 bilhões. O Brasil, entretanto, colocou R$ 25,5 bilhões à disposição dos agricultores.

Gurgel explica que atualmente o plano “não está andando na velocidade que se esperava” e para reverter o quadro recomenda que sejam revistas as regras de incentivo do Programa ABC no sentindo de estimular a adoção de crédito para tecnologias de baixa emissões de carbono, expandir o financiamento da recuperação de pastagens degradadas para linhas de créditos oficiais e avaliar e monitorar as práticas adotadas.

Crédito sobrando

Em Xapuri, no Acre, uma fazenda de produção pecuária adquiriu do Banco do Brasil para melhorar a produtividade. O resultado foi um ganho expressivo: 1,2 Unidade Animal para 3,0 Unidade Animal por hectare, além de possibilitar a recuperação da Área de Preservação Permanente da propriedade.

O caso foi apresentado por Annelise Vendramini, coordenadora da Análise dos Recursos do Programa ABC, que destacou também o aspecto que dificulta o acesso dos produtores ao crédito: a burocrática. Aliada à falta de informação fez com que o crédito sobrasse. Entre 2017 e 2018, em torno de 67% foi utilizado. Dos R$ 23,45 bilhões disponibilizados pelo governo foram utilizados somente R$ 15,64 bilhões.

Apoio ao Clima

As metas do Programa ABC não envolvem somente redução das emissões, mas incorporam práticas que melhoram o uso do solo, reflorestamento e ganho em produtividade. Esses temas dialogam diretamente com os compromissos brasileiros para a redução das emissões dos gases que causam o aquecimento global, o Acordo de Paris e podem colaborar de maneira significativa.

Segundo Annelise “existe o compromisso de acabar com o desmatamento ilegal, reflorestar 12 milhões de hectares e compromissos ligados à agricultura. Então, o tema de uso do solo, reflorestamento etc. são elementos centrais e mostram uma conexão entre o ABC e a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC)”, disse.

Fonte: Amazônia.org.br

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