Projeto apoiará produtores rurais de Mato Grosso para conservar Cerrado

Objetivo é contribuir para conservação da biodiversidade e proteção de espécies polinizadoras

Projeto apoiará produtores rurais de Mato Grosso para conservar CerradoUma iniciativa realizada em conjunto pela The Nature Conservancy (TNC) e a Syngenta vai permitir que produtores rurais da região do Alto Teles Pires, em Mato Grosso, continuem recebendo ajuda para restaurar áreas degradadas e conservar a vegetação remanescente em suas propriedades.

As empresas ampliarão o projeto que desenvolvem juntas, desde 2010, e realizarão Projetos de Restauração de Áreas Alteradas e Degradadas (PRADA) de 100 propriedades rurais, de acordo com os critérios definidos pelo Programa de Regularização Ambiental de Mato Grosso (PRA). Além disso, capacitarão produtores rurais e multiplicadores nos temas PRA, PRADA e restauração florestal.

“As propriedades beneficiadas pelo projeto terão importantes ganhos ambientais, porque receberão apoio técnico para recuperar suas matas ciliares, de acordo com o Código Florestal, mas a iniciativa deve trazer benefícios para toda a região, porque permitirá expandir a formação de corredores ecológicos entre os trechos isolados de mata, o que é fundamental para a conservação da biodiversidade do Cerrado na região”, explica Giovana Baggio, gerente de agricultura da TNC.

Para a TNC, o novo projeto fortalece a estratégia de criar bons modelos de conservação em Mato Grosso, em conjunto com produtores rurais e empresas, e de dar escala a esses modelos, por meio do suporte a políticas públicas relevantes. A iniciativa contribuirá, por exemplo, para as metas do programa Produzir, Conservar e Incluir (PCI), liderado pelo governo de Mato Grosso e apoiado pela TNC e por diversas outras organizações ambientais. Em dezembro de 2015, o estado assumiu o compromisso público, durante a Reunião da Convenção do Clima (COP-21), em Paris, de restaurar 2,9 milhões de hectares até 2030.

Já para a Syngenta, a iniciativa no Alto Teles Pires impulsiona as metas do Plano de Agricultura Sustentável e do projeto Operation Pollinator, desenvolvido em diversos países há 15 anos, com o objetivo de aumentar o número de polinizadores (abelhas e algumas outras espécies de insetos, pássaros e morcegos, por exemplo) por meio de ambientes propícios e seguros, desenvolvidos, sob medida, para áreas agrícolas comerciais. O projeto reforçará protocolos de restauração que contribuam para essa meta global da companhia.

“Um bom exemplo destes protocolos foi a criação de uma regra que estabelece que 10% de cada hectare sejam restaurados com espécies de árvores que façam sentido para aquele bioma e que atraiam os polinizadores. Além disso, para beneficiar esse trabalho, realizamos uma avaliação do calendário anual dessas espécies, para garantir que exista florescimento e oferta de alimento o ano inteiro, impedindo que os polinizadores precisem ir para a lavoura buscar alimento”, explica Deborah Oliveira, coordenadora de produtividade sustentável da Syngenta.

Na primeira fase do projeto, que durou seis anos, foram mapeados 8 milhões de hectares, entre propriedades rurais, áreas naturais e outros usos do solo. Esses mapas serviram de base para diagnosticar a necessidade de restauração de matas ciliares, de forma a oferecer aos governos municipais e estadual e à sociedade em geral o Plano Estratégico de Restauração Florestal, documento que serve para recomendar soluções técnicas aos gargalos da restauração florestal. Além disso, esses mapas contribuíram para que os produtores obtivessem o Cadastro Ambiental Rural (CAR) de suas propriedades, junto ao governo federal, primeiro passo para a regularização ambiental da propriedade. Hoje, mais de 90% da área cadastrável da região já está no CAR. A iniciativa focou, ainda, na capacitação de produtores e técnicos locais para a adoção de práticas simples e baratas de restauração. Com essas ações, o projeto contribuiu para a recuperação de 20 mil hectares degradados, que formaram corredores naturais em áreas de preservação permanente, permitindo conectar 3,2 milhões de hectares de fragmentos de vegetação nativa.

As ações do projeto começarão ainda em agosto, com a construção de bases de dados digitais e, em seguida, com a verificação em campo das informações obtidas nas imagens de satélite.

Fonte: Observatório ABC

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