Centro de Gastronomia em Belém vai promover a biodiversidade da Amazônia

Em Belém, Centro de Gastronomia e Biodiversidade terá um laboratório para examinar os ingredientes típicos, orientar produtor sobre restrições sanitárias e rotulagem dos produtos

O Centro Global de Gastronomia e Biodiversidade Maturi deverá ser inaugurado em 2019. Na foto estão os ingredientes maturi, baru, licuri e tucupi (Foto: Rogério Voltan / Editora Globo)

A Amazônia abriga a maior variedade das espécies de fauna e flora do planeta. Como biodiversidade também é comida, a região é considerada o berço de uma das gastronomias mais originais e apreciadas do mundo. Ainda assim, a ausência de análises sobre os produtos e ingredientes dificulta a comercialização formal desses alimentos típicos, que na maioria das vezes vêm de pequenos produtores, para o grande mercado. Com o objetivo de transformar esse ativo regional em oportunidade de negócios sustentáveis para os diversos atores dessa cadeia de produção, o projeto Centro Global de Gastronomia e Biodiversidade vem sendo desenvolvido há três anos em Belém, no Pará.

De acordo com o coordenador do projeto, Roberto Smeraldi, a ideia que impulsionou a construção do centro de gastronomia e biodiversidade foi a necessidade de um laboratório na região para examinar os ingredientes típicos e que também pudesse orientar os protudotes sobre restrições sanitárias e de rotulagem. Segundo ele, os custos da análise dos produtos para que sejam comercializados legalmente são expressivos, quase inalcançáveis para o pequeno produtor. Além disso, formalizar a venda desses itens dá legitimidade aos pequenos empresários para pedir empréstimos em bancos, investir na contratação de técnicos, máquinas, entre outras melhorias do negócio.

“Nós não podemos esperar que o poder público se organize e faça a análise desses ingredientes. Decidimos fazer isso por iniciativa da sociedade civil. Isso será uma oportunidade para que o empresário aplique o manejo na produção, inclusive”, disse o coordenador.

Roberto Smeraldi explica que uma das funcionalidades do laboratório também deve ser criar e adequar normas para que os ingredientes cheguem ao mercado com segurança. Com isso, os produtores poderão inclusive passar a exportar as iguarias da Amazônia. Além disso, padrões gastronômicos devem ser elaborados, com as características de cada produto, para o esclarecimento dos profissionais da culinária e consumidores. “Ainda não há referência para dizer qual o modo de preparo de um molho de tucupi [molho de mandioca brava que demora dias para ser fermentado] ou o que venha a ser a salsa de cupuaçu, por exemplo. Até a avaliação da gastronomia esbarra na subjetividade popular”, disse.

Além do laboratório, o Centro Global de Gastronomia e Biodiversidade deve ter um curso de pós-graduação, para formação de pessoas com os conhecimentos desenvolvidos, um museu interativo da gastronomia local e um restaurante, para que o público possa degustar as iguarias. A estrutura física do projeto deverá ficar pronta somente em 2019, mas a partir do ano que vem uma feira para produtores comunitários deverá ser aberta.

Historicamente, os índios da região tiveram um papel determinante na domesticação de frutíferas, tubérculos, nozes, oleaginosas, entre outras. Antes mesmo do contato com o europeu, eles já tinham adaptado pelo menos 83 produtos, entre eles o cacau, a castanha, o milho e o açaí. E é com essa raiz que a gastronomia amazônica se desenvolveu através dos séculos. Em 2016, Belém foi reconhecida como Cidade da Gastronomia pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

O projeto apresentado ao governo estadual do Pará prevê que a estrutura física do centro seja às margens do Parque Estadual do Utinga, cuja reabertura ao público deverá acontecer nas próximas semanas. O parque abriga a maior floresta urbana do Brasil, com 5.000 hectares, entre mata e uma área de pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A conexão sustentável do campo à gastronomia é o tema do Festival Origem, que acontecerá de 1º a 3 de dezembro em São Paulo. O festival é organizado pelas marcas ÉPOCA, Globo Rural e Casa e Jardim. Durante o evento, alimentos com origens sustentáveis serão apresentados em palestras, oficinas de culinária, exposição de produtores e praça de alimentação.

Por: Desirêe Galvão
Fonte: Blog do Planeta/ Revista Época

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