Oficina da Semana de C&T do Inpa apresenta ferramenta para colheita de cachos de palmeiras

A ferramenta possui tecnologia simples e de fácil manuseio. Foi confeccionada com materiais facilmente encontrados no mercado. 

Uma ferramenta criada no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) veio para solucionar uma das dificuldades enfrentadas pelos extrativistas e produtores rurais que trabalham com frutos de palmeiras na Amazônia. A palmhaste é usada nas colheitas de cachos de palmeiras com alto valor econômico sem a necessidade das pessoas escalarem as árvores. A coleta de colheita da forma tradicional exige preparação para escalar as palmeiras, além de ser uma atividade árdua e perigosa. Veja aqui um vídeo de colheita de açaí-solteiro em floresta de baixio.

A palmhaste será apresentada na próxima sexta-feira (27), das 9h às 12h, na Oficina Ferramentas para coleta de cachos de palmeiras arbóreas na Amazônia durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) do Inpa, que ocorre de 23 a 29 deste mês. A oficina será teórica e prática, mostrando a eficiência da ferramenta.

A SNCT do Inpa oferecerá mais de 100 atividades de popularização da ciência, entre oficinas, cursos, palestras, exposições e visitas, todas gratuitas. A abertura acontece na segunda (23), às 9h, no auditório da Ciência, na Rua Bem-Te-Vi, s/nº, Petrópolis, zona Sul de Manaus. Inscrições podem ser feitas pelo site https://www.doity.com.br/snct-inpa-2017/inscricao.

Desenvolvida pelos técnicos do Inpa, vinculados à Coordenação de Biodiversidade (Cobio), o engenheiro florestal Afonso Rabelo e os ilustradores botânicos Felipe França e Gláucio da Silva, a ferramenta foi aperfeiçoada a partir de uma tecnologia simples e de fácil manuseio.

Colheitade acaisolteiroFotoAfonsoRabelo

A palmhaste é constituída por seis pares de tubos de alumínio de 1,50 metro de comprimento cada, que podem ser interligados por roscas podendo atingir de 3 metros a 18m de altura. A tecnologia empregada no corte dos cachos é uma foice tipo roçadeira agregada a uma corda de polietileno com 4 mm de espessura e de uma mangueira trancada para gás de cozinha 3/8’’. Além desses acessórios, utiliza uma lona reforçada de 3x3m tipo carreteiro para aparar a queda dos cachos.

“A haste pode ser um novo instrumento na elaboração de projetos que envolvam produtos florestais não madeireiros e de planos de desenvolvimento regional e sustentável sem a necessidade da derrabada de árvores”, diz Rabelo.

Para retirada de cachos da forma tradicional, os extrativistas e produtores rurais escalam árvores muito altas e usam a peconha e outros instrumentos que contribuem para o aumento do desgaste físico da pessoa e até com acidentes graves.

Rabelo explica que geralmente as plantas com caules cobertos por espinhos têm os cachos de frutos coletados com o auxílio de instrumentos caseiros, como varas de madeiras ou de bambus, adaptadas com ganchos ou foices na extremidade superior. “Isto faz com que se tornem instáveis ou desequilibradas, com difícil manuseio e, muitas vezes, inoperantes”, diz. “Por essa razão, a produtividade é afetada. Uma vez demoramos três horas para coletar um cacho de tucumã de uma planta de oito metros de altura, enquanto com a palmhaste levamos apenas três minutos”, completa.

Vantagens

Dentre inúmeras vantagens, o uso correto da ferramenta de colheita poderá promover a melhoria na renda familiar com o emprego de mão de obra ociosa ou desqualificada, evitar desgastes físicos e acidentes graves, aumentar a produtividade e estimular o extrativismo sustentado, além da melhoria da qualidade de vida, saúde e bem-estar.

A palmhaste também poderá proporcionar baixos níveis de agressividade nas palmeiras e ao meio ambiente, proteger as espécies que sofrem ameaças de supressão para as coletas dos cachos das palmeiras como o açaí-solteiro (Euterpe precatoria Martius), o açaí-do-pará (Euterpe oleracea Martius), a bacaba (Oenocarpus bacaba Martius), a bacaba-de-leque (Oenocarpus distichus Martius), o buriti (Mauritia flexuosa L. f.), o patauá (Oenocarpus bataua Martius) e o tucumã-do-Amazonas (Astrocaryum aculeatum Meyer).

Os testes foram realizados com sucesso junto aos coletores de palmeiras nas comunidades Morena, na Vila de Balbina (município de Presidente Figueiredo, a 107 quilômetros de Manaus); Nova Vida (em Itacoatiara, a 176 quilômetros de Manaus); Ramal do Pau Rosa (no Km 21 da BR-174), além das comunidades dos lagos do Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus) e Paru (em Manacapuru, a 68 quilômetros da capital), e na Reserva de Fruticultura Tropical do Inpa (situada no Km 35 da BR-174).

“Pelo menos 15 espécies frutíferas de palmeiras têm mercado estabelecido na Amazônia e em crescimento nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, ganhando expansão nos mercados internacionais”, conta Rabelo.

Para o técnico, é importante que o poder público e cooperativas agrícolas reconheçam o valor desse instrumento e promovam ações que possibilitem a produção em grande escala da ferramenta de colheita para que possam ser distribuídas entre as comunidades rurais da Amazônia. “Os frutospodem servir como matéria-prima para as agroindústrias, indústrias de cosméticos, farmacêuticas, dentre outras”, destaca.

Fonte: INPA

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