Óleo na casa dos outros não é refresco

Simulamos um derramamento na cara da Total para que ela não ignore mais o que pode acontecer com os Corais da Amazônia

Os ativistas simularam um derramamento com um enorme barril inflável da Total e um banner de 24 x 14 metros em forma de mancha de óleo sobre uma passarela que cruza a Avenida do Chile, no Rio de Janeiro. Fernanda Ligabue/Greenpeace

Na manhã desta quinta-feira (28), nossos ativistas surpreenderam os funcionários da Total com um “derramamento de óleo” na porta de seu escritório, e uma mensagem clara e direta: “O povo disse não, a Ciência disse não, o Ibama disse não. Fique longe dos Corais da Amazônia”. A empresa não pode mais fingir que ignora o alto risco disso acontecer nesse ecossistema único, se ela continuar com seus planos de exploração de petróleo na bacia da foz do rio Amazonas.

De forma pacífica, o protesto chamou a atenção de toda a indústria do petróleo. Fábio Nascimento/Greenpeace

A ação foi realizada no coração da indústria do petróleo no país, a Avenida do Chile, no Rio de Janeiro, onde estão ainda escritórios da Petrobras, Shell, Chevron, fornecedores e consultorias do setor de óleo e gás.

Ativistas do Greenpeace usam óleo para representar as comunidades do Amapá possivelmente impactadas por um vazamento de petróleo. Foto: João Laet/ Greenpeace

Na cara da Total

Usamos também um grande drone para levar a mensagem ao 19º andar do prédio, onde está o escritório da empresa. O objetivo era conscientizar os funcionários da opinião pública contra a perfuração de petróleo perto desse ecossistema. “Os funcionários de Total devem estar cientes da verdade: risco de um derramamento é alto e a empresa não está preparada para isso”, afirma Thiago Almeida, especialista em energia do Greenpeace Brasil.

Nossa mensagem foi do chão até a janela da Total, no 19 andar. Foto: Fábio Nascimento/Greenpeace

Mais de um milhão de pessoas assinaram a petição, dezenas de cientistas assinaram uma Carta Aberta, e a equipe técnica do governo rejeitou o Estudo de Impacto Ambiental da empresa, no entanto, a Total insiste em tentar explorar petróleo perto dos Corais da Amazônia. “Isso é inaceitável sob qualquer perspectiva, e é hora dela desistir de seus planos. Não podemos permitir que o lucro venha antes da proteção de um ecossistema único e das pessoas que seriam afetadas por um potencial derramamento”, completa Thiago.

O drone levou a mensagem aos funcionários para que tenham a real ciência de que sua empresa não está preparada para lidar com os altos riscos de uma exploração petrolífera na foz do rio Amazonas. Foto: João Laet / Greenpeace

Em agosto o Ibama rejeitou pela terceira vez o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da empresa, necessário para a obtenção da licença que autoriza a perfuração na bacia da foz do rio Amazonas. Segundo a presidente do Ibama, a Total não forneceu, de novo, informações adequadas sobre o impacto ambiental do projeto, como apontamos no relatório Amazônia em Águas Profundas.

A Total admite, no seu próprio EIA, a probabilidade de até 30% de o petróleo atingir o recife em caso de derramamento. No entanto, a petrolífera continua pressionando o governo para obter a licença.

Ao longo de toda a mobilização, o público interagiu com os ativistas e manifestou apoio à defesa dos corais. Foto: João Laet/Greenpeace

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Fonte: Greenpeace

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