Para evitar novos ataques, embarcações e carros do ICMBio são levados do Amazonas para Rondônia

Barco e prédios públicos foram incendiados nos últimos dias. Os suspeitos são garimpeiros, que teriam agido em represália após uma operação contra um garimpo ilegal no Rio Madeira.

Três carros e duas embarcações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foram transportadas de Humaitá, no Sul do Amazonas, para a cidade de Porto Velho, em Rondônia, na madrugada deste domingo (29). A sede do órgão em Humaitá e um barco foram incendiados na sexta-feira (27) e sábado (28), respectivamente. Os suspeitos são garimpeiros, que teriam agido em represália após uma operação contra um garimpo ilegal no Rio Madeira.

Segundo a assessoria de imprensa do ICMBio, o transporte dos veículos ocorreu por volta das 4h (horário de Brasília) e contou com o apoio da Polícia Rodoviária Federal. A ação visa evitar novos danos ao patrimônio público.

Quatro funcionários ICMBio que estavam no município foram enviados para local seguro. Servidores do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que atuavam na cidade, também deixaram o município escoltados por policiais e foram enviados para Porto Velho.

Em nota conjunta, o ICMBio e o Ibama informaram que as estruturas dos órgãos ambientais foram atacadas, e funcionários públicos ameaçados.

“Os servidores estão fisicamente bem e já se encontram em local seguro, fora do município de Humaitá. Os danos materiais serão avaliados assim que a região voltar à normalidade, o que deverá ser garantido pelas forças de segurança pública. A Polícia Federal (PF) já iniciou investigações para identificar os responsáveis pelos atentados, que responderão pelos atos criminosos”, informou trecho da nota divulgada à imprensa.

Ainda segundo os órgãos, o combate aos ilícitos ambientais no Rio Madeira e na área da BR 230 será mantido.

Ataques

O primeiro dos ataques ocorreu na sexta-feira (27). Um grupo de garimpeiros é suspeito de atear fogo em prédios do Ibama e ICMBio, em Humaitá. A ação criminosa ocorreu após uma operação do Ibama apreender balsas usadas em um garimpo.

A Operação Ouro Fino foi realizada pelo Ibama, em conjunto com o ICMBio, na última semana, desde a quarta-feira (25). A ação fiscaliza a atividade de extração ilegal de ouro no Rio Madeira. Ao todo, 37 balsas de garimpeiros foram apreendidas durante a ação, segundo o agente José Filho, do Ibama.

As balsas usadas no garimpo foram incendiadas pelos servidores dos órgãos ambientais. A informação foi confirmada pelo Ibama. Segundo o superintendente do órgão no Amazonas, José Leland Barroso, a ação é legalizada pelo artigo 111 do decreto 6.514. Barroso classificou o ataque a prédios de órgãos de fiscalização ambiental no Sul do estado como uma barbárie e insulto ao Estado brasileiro.

Segurança reforçada

A segurança em Humaitá foi reforçada por soldados do Exército e Policiais Federais depois de ataque a prédios. Peritos da Polícia Federal de Porto Velho, Rondônia, foram deslocados para dar início às investigações. O reforço de agentes da Força Nacional de Segurança chegou ainda na sexta.

O governo autorizou o deslocamento de equipes da Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas), Casa Militar e Defesa Civil para o município de Humaitá. A comitiva, que seguiu viagem no fim da manhã, trabalha na assistência às famílias desabrigadas com o incêndio de balsas e no levantamento de informações sobre o ocorrido.

Por Leandro Tapajós
Fonte: G1

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