Lideranças indígenas cobram melhorias nas aldeias impactadas pela Usina de Belo Monte

Índios da região afetada pela usina de Belo Monte / foto: Thiago Araújo
Os índios cobram a execução do Projeto Básico Ambiental da Usina, criado para beneficiar as comunidades do Xingu.

Durante três dias, lideranças indígenas de nove etnias se reuniram em Altamira, no sudeste do Pará, com autoridades e representantes da Norte Energia, responsável pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Eles discutiram ações de melhorias nas aldeias impactadas pela implantação da usina.

Os índios cobram a execução do Projeto Básico Ambiental da Usina, criado para beneficiar as comunidades do Xingu. Eles debateram uma pauta extensa com mais de 30 pontos como: obras de saneamento, ações de saúde, educação e proteção das terras indígenas.

Para conseguir a licença de instalação da Usina de Belo Monte, a Norte Energia teve que apresentar um Projeto Básico Ambiental para amenizar os impactos causados pelo empreendimento às comunidades indígenas. O Projeto prevê ações obrigatórias para um período de 30 anos, prazo de operação da Usina. Mas as lideranças alegam que algumas ações que já deveriam ter sido executadas não saíram do papel, desde 2011 quando começaram as obras do empreendimento.

Reformulação

Já o Ministério Público Federal (MPF) quer a revisão das ações obrigatórias por parte da empresa empreendedora da Usina. O MPF quer que as autoridades e os representantes de Belo Monte possam ir as terras indígenas para avaliar os danos causados as comunidades e o resultado do que ja foi executado, mas algumas lideranças questionaram a proposta.

“Na verdade o documento diz uma coisa e aqui esta sendo proposto outra. Esse documento tira o nosso poder de execução, nós não vamos ter mais voz e isso nos deixa preocupado”, comenta o cacique Rodrigo Curuaia.

O MPF diz que os impactos nas comunidades foram maiores do que os apontados pelos estudos da hidrelétrica. Pendências teriam afetado as comunidades por isso o Ministério Público recomendou a revisão do Projeto Básico Ambiental.

“Algumas ações que não foram previstas causaram mais impacto do que a própria obra, que foi a atração dos indígenas para Altamira. Hoje temos que fazer a reformulação dos programas para que efetivamente faça algum sentindo as medidas que vão para as aldeias”, afirma a procuradora da república, Thais Santi.

A Norte Energia reconhece que há pendencias a serem resolvidas com as 34 aldeias contempladas pelo projeto mas afirma que as ações estão em andamento.

“A Norte Energia avalia que atualmente é interessante a gente pensar como podemos estar mais dentro das aldeias mesmo. Então já existe um cronograma pra gente começar a visitar e conversar com as comunidades. A construção seria participativa. O empreendedor como todos, nao avalio que isso seja um caso especifico de Belo Monte mas dos grandes empreendimentos, a dificuldade da gente construir conjuntamente soluções porque nem sempre a a gente tem, e os indigenas também. A gente não pode cobrar do impactado, mas podemos construir juntos a partir do que eles vivem”, explica Vanessa Caldeira, gerente de assistência indigena da NE.

Prejuízo

As lideranças indígenas garantem que estão cansadas de esperar. “Na hora da ação eles contratam empresas, que dizem que ficam amolando o serviço, diz que o contrato não cabe fazer certas coisas. ai a gene cobra da norte energia, que diz que a culpa é da empresa. e ai fica jogando um pro outro. isso só prejudica as nossas comunidades. alem da gente perder tempo, perde recurso, pq eles assinam como se tivesse sido executado e fica por isso mesmo”, revela Jandatari Xipaia, liderança da aldeia Tukumã.

 Fonte: G1
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