‘O cenário do sauim-de-coleira é sombrio’, diz biólogo sobre extinção de animais

Grupo de biólogos informou que duas das cinco unidades de conservação no AM são campeãs de desmatamento; eles pedem a criação de uma nova unidade, mas com funcionamento integral

Um grupo de biólogos protocolou um abaixo-assinado para a criação de uma nova unidade de conservação (Foto: Maurício Noronha)

Ameaçado de extinção, o sauim-de-coleira possui apenas cinco unidades de conservação com tamanho adequado no Estado do Amazonas, porém, duas delas são campeãs de desmatamento, segundo o coordenador da Campanha Salve Sauim, Maurício de Almeida. Nesta terça-feira (21), um grupo de biólogos entregou na Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Amazonas (Semas) um abaixo-assinado pedindo a criação de uma nova unidade de conservação.

A medida seria implementada em uma área de 10 mil hectares (100 quilômetros quadrados) e protegeria em média 500 macacos, nas últimas áreas florestais, entre os municípios de Manaus, Itacoatiara e Rio Preto da Eva.

“O sauim é uma espécie bastante ameaçada de extinção. Ele se encontra insuficiente protegido nas unidades de conservação. A espécie está no eixo de municípios em desenvolvimento, como Manaus, Itacoatiara e Rio Preto da Eva. Itacoatiara, por exemplo, é um dos polos da agropecuária do Estado, o terceiro PIB do Amazonas. Isso tudo provoca o desmatamento. O cenário do sauim é sombrio”, destacou o coordenador da campanha.

Segundo Maurício, medidas urgentes precisam ser tomadas para garantir a existência da espécie no Estado. “Se medidas não forem tomadas existe uma grande possibilidade da espécie entrar em extinção. Ficamos receosos de perder esse bicho, porque quando se perde o sauim, perdemos uma floresta inteira, além de uma rica biodiversidade. Essa unidade de conservação também pode oferecer renda, pois será uma aposta no ecoturismo”, ressaltou.

O sauim-de-coleira vive em uma área restrita de 750 mil hectares (7.500 quilômetros quadrados) da Amazônia, nos municípios de Manaus, Rio Preto da Eva e Itacoatiara. É uma região sob forte pressão de desmatamento. Segundo dados de especialistas, mais de 44% do hábitat da espécie se encontra desmatado ou severamente fragmentado.

O coordenador da Campanha Salve Sauim também explica que a espécie tem cinco unidades no Amazonas, mas a situação é de alerta. “O sauim tem cinco unidades de conservação com um bom tamanho, sendo que duas delas são campeãs de desmatamento. Especialistas mapearam a área e foi comprovado a perda de 30% de área florestal. A nova unidade de conservação funcionaria de forma integral”, comentou.

Sem prejuízos

O presidente da Comissão do Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), o deputado Luiz Castro, destacou que a criação da nova unidade é uma garantia da proteção à espécie ameaçada.

“A comissão do Meio Ambiente da Aleam tem um interesse muito grande nessa questão, acredito que até a própria Assembleia, pois trata-se de uma unidade que não vai colidir com nenhum projeto econômico, industrial ou agrícola. Trata-se de garantir que áreas que estão preservadas continuem sendo preservadas”, afirmou.

‘Pedimos socorro’

O titular da Secretaria do Meio Ambiente do Amazonas (Sema) e diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental da Amazônia (Ipaam), Marcelo Dutra, afirmou que entrou em contato com o Ministério do Meio Ambiente para falar sobre a nova unidade de conservação. Segundo ele, o sauim precisa ser priorizado no Estado.

“Já procuramos o Ministério do Meio Ambiente para pedir esse socorro e ajuda, pois esse caso requer urgência. O próximo passo agora é trabalhar imediatamente na criação de um grupo técnico de trabalho para que possam ser apontadas soluções sobre a proteção da espécie”, destacou.

O secretário informou que estudará soluções para a criação da unidade o mais breve possível. “Hoje integrantes da Campanha Salve Sauim protocolaram o pedido de criação da unidade. Não estamos no escuro nesse assunto, mas precisamos ter mais informações sobre de quem são as terras, entre outros quesitos. Queremos transformar isso em um ativo ambiental do povo do Amazonas”, completou.

Por: Amanda Guimarães

Fonte: A Crítica

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