Feiras do agricultor no AP registram vendas de mais de R$ 18 milhões em 6 meses

Dados são da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural (SDR), referente ao primeiro semestre. Feira do Buritizal faturou mais de R$ 12 milhões em produtos rurais.

As seis feiras do agricultor familiar do Amapá venderam mais de R$ 18,4 milhões no primeiro semestre. A que apresentou melhor resultado foi a do Buritizal, na Zona Sul de Macapá, que é a maior delas e responsável por 69,3% das vendas, que faturou um total superior a R$ 12 milhões. Os dados foram apresentados pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural (SDR).

As maiores receitas foram registradas nas feiras da capital. Depois do Buritizal, a segunda maior na capital foi a do Jardim Felicidade, na Zona Norte, com mais de R$ 3,7 milhões em vendas; seguida do Pacoval, que alcançou pouco mais de R$ 808 mil. A feira do agricultor do município de Santana fechou o período com lucro de R$ 1,1 milhão.

Na outra ponta dos dados apresentados pela SDR, Ferreira Gomes aparece com movimento de apenas R$ 437,25 e para Laranjal do Jari não aparecem valores.

Ainda segundo a secretaria, são 196 tipos de produtos comercializados nas feiras, entre eles frutas, hortaliças, legumes, verduras e farinhas. São mais de 2,4 mil agricultores oriundos de 189 comunidades em todo o estado para oferecer variedades para a mesa do consumidor.

“Apenas os agricultores dos municípios de Oiapoque e de Calçoene não participam das feiras do agricultor, em razão de serem muito distantes e necessitarem de uma logística de transporte maior”, explica o titular da SDR, Robério Aleixo.

A secretaria não apresentou dados de 2016 para se fazer comparativos, mas os que vende nas feiras, mesmo antes da construção dos prédios que sediam as estruturas, garante que houve tempos melhores.

“Trabalho nas feiras desde quando era na frente da Rádio Difusora [no Centro], há mais de 35 anos. Eu vendia 20 sacas de farinha num dia, mas o movimento caiu muito e não é a mesma coisa. Quando a gente vende 5 ou 7 sacas, é vantagem. Mesmo assim, aqui [Feira do Buritizal] é a nossa casa, onde a gente consegue fazer um dinheirinho”, lembrou o feirante Daniel Barros, de 71 anos.

Barros é agricultor desde os 14 anos. Ele é da comunidade de Ponta Grossa, na região do distrito do Pacuí, mas hoje vive na capital. Com a produção da farinha regional, ele criou os 6 filhos, que assumiram a roça, produzem a farinha e mandam pelo caminhão, para que o pai venda na feira e mande o dinheiro para a família.

Do outro lado, os consumidores que frequentam a feira apontam que a credibilidade nos produtos da agricultura familiar é o motivo para a preferência nas compras, como é o caso do funcionário público Admilson Trindade. Na Feira do Buritizal ele costuma comprar macaxeira, farinha, mandioca, cheiro-verde, couve e pimentinha.

“Pra mim o produto da feira do agricultor tem a segurança da qualidade. Além disso, no nosso estado, onde quase tudo vem de fora, a gente só consegue encontrar verdura e hortaliça fresca aqui. Venho toda semana”, disse Trindade.

Diferente de Barros, o também feirante Josimar de Souza, de 42 anos, fala animado das vendas. Ele é da Colônia do Matapi, do município de Porto Grande, e trabalha na Feira do Buritizal há mais de 30 anos.

“Vendo abacaxi, macaxeira, folhagens, banana. Faço em média R$ 1,5 mil por feira. Para mim, está ótimo. Sem esse lugar, o agricultor estaria quebrado. É o nosso principal ponto de venda”, falou.

O titular da SDR ressaltou que o objetivo das feiras é ofertar produtos de qualidade e mais baratos ao consumidor. O governo do estado é responsável em garantir o transporte desses agricultores.

O gestor conta que existe um projeto de revitalização para algumas feiras, mas ele chama a atenção dos feirantes e dos usuários quanto ao uso dos espaços.

“Os prédios das feiras precisam ser preservados, tanto por quem compra, como por quem vende. O governo tem um planejamento de reforma, mas é preciso que todos ajudem a cuidar”, finalizou.

Por Rita Torrinha,
Fonte: G1

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