No Fórum Econômico Mundial, 61 empresas compradoras de carne e soja do Brasil se comprometem a combater o desmatamento do Cerrado

Em três meses, número de adesões de empresas ao Manifesto do Cerrado triplica.  Anúncio aconteceu hoje, 25, em Davos, na Suíça

Em apenas três meses, o número de empresas que se comprometem a apoiar o Manifesto do Cerrado quase triplicou para 61 signatários. Hoje, 25 de janeiro, mais nove empresas anunciaram sua adesão a combater o desmatamento no bioma durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

O Manifesto do Cerrado foi uma convocação lançada no Dia do Cerrado, 11 de Setembro de 2017, por uma coalisão de hoje 60 instituições da sociedade civil, entre elas WWF, TNC, CI, Greenpeace Brasil, IPAM e Imaflora. O documento pede medidas imediatas em defesa do Cerrado a serem tomada pelas empresas que compram soja e carne desse bioma, assim como os investidores que atuam nesses setores, no sentido de adotarem políticas e compromissos eficazes para eliminar o desmatamento e desvincular suas cadeias produtivas de áreas naturais recentemente convertidas.

Em 25 de outubro de 2017, 23 empresas globais, incluindo Ahold Delhaize, Marks & Spencer, METRO, Tesco, McDonalds, Nando’s, Unilever e Walmart responderam à convocação e lançaram declarações de apoio aos objetivos do Manifesto do Cerrado. Três meses depois, já são 61 empresas signatárias que representam múltiplas cadeias de fornecimento de produtos, do varejo a bens de consumo a serviços de alimentação e cuidados pessoais.

Entre os novos signatários estão Aldi NL, Auchan Retail, Bel Group (Fromageries Bel SA), Casino Group, Cooperl, Grupo Bimbo, Grupo Éxito, MondelÄ?z International e Supermercados Wm Morrison. O anúncio aconteceu durante uma reunião no Fórum Econômico Mundial, organizado pela TFA – Tropical Forest Alliance, onde Al Gore e Christiana Figueres se juntaram a outros líderes climáticos pedindo a necessidade de ações de maior impacto para proteger florestas e outros ecossistemas ricos em carbono, uma vez que se estima que eles contribuam com 37% do potencial de redução de emissões até 2030.

Segundo as declarações de hoje em Davos, o apoio das empresas ao Manifesto de Cerrado visa promover uma agricultura mais resiliente e práticas sustentáveis de planejamento de uso da terra na região. As empresas signatárias usam a soja ou o gado brasileiro em seus produtos ou cadeias de suprimentos e, portanto, são clientes importantes para esses setores. Eles apoiam o desenvolvimento e crescimento nas regiões produtoras de soja e gado de maneira que o desmatamento e a perda de vegetação nativa sejam evitadas, com o uso de 25,4 milhões de hectares de terra já convertida e que são adequados para a agricultura.

Os signatários reconhecem que, ao lado da ação individual das empresas, a combinação de vozes pode acelerar discussões de políticas públicas significativas e mais amplas. Os signatários do Manifesto declaram estar comprometidos a trabalhar com as partes interessadas locais e internacionais para interromper o desmatamento e perda de vegetação no Cerrado. A prioridade imediata é formar um grupo de trabalho com o mandato de desenvolver um roteiro e um plano de ação para implementar os objetivos das Declaração de Apoio.

“A rápida conversão do precioso Cerrado do Brasil em agricultura e pastagens não é apenas trágica, mas também desnecessária”, afirma Kavita Prakash-Mani, líder da prática Mercados do WWF. “Ao recuperar terras que já foram abertas, podemos atender a demanda futura da soja e carne sem perder nenhum outro hectare de Cerrado nativo. Aplaudimos esses compromissos corporativos para proteger o bioma, que é o lar de 5% da biodiversidade do planeta. O movimento envia um sinal crítico aos produtores, processadores e varejistas de que o Cerrado é tão vital para o nosso planeta quanto a Amazônia.”

Para Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil, “o fato de 61 empresas globais que compram carne e soja do Cerrado brasileiro aderirem ao compromisso de parar a conversão de vegetação natural no bioma é uma mensagem clara de que a preservação socioambiental deve ser prioridade para a economia do Brasil. O país tem a oportunidade de mostrar o caminho para a conciliação da produção de alimentos e a conservação ambiental”. Segundo Voivodic, os próximos passos na implantação dos compromissos anunciados serão muito importantes: “O Cerrado tem uma quantidade muito pequena de áreas legalmente protegidas. Aliados às políticas públicas que promovam uma conservação mais efetiva do bioma e incentivos para melhorar as práticas agropecuárias, os compromissos voluntários são cruciais para a proteção do Cerrado, seus serviços ambientais e o bem-estar das comunidades que dependem dele.”

“Em apenas alguns meses, estamos orgulhosos que um crescente número de empresas tenham se pronunciado para ajudar a conservar o ecossistema vital do Cerrado”, afirmou Collin O’Mara, presidente e CEO da National Wildlife Federation. “Como uma comunidade, agora devemos construir a partir desse progresso e tomar medidas definitivas tanto para conservar o habitat crítico da vida selvagem quanto para assegurar a viabilidade a longo prazo da agricultura nesta região”.

Declarações das empresas

  • Antoine de Saint-Affrique, CEO da Barry Callebaut: “Na sua visão de sustentabilidade ‘Forever Chocolate’, a Barry Callebaut comprometeu-se a tornar-se Forest Positive e Carbon Positive, e a fornecer todos os seus ingredientes de forma sustentável até 2025. É nosso compromisso com todos os amantes do chocolate e às próximas gerações. Juntar-se ao Manifesto do Cerrado foi, portanto, uma decisão óbvia, e esperamos que todos os que envolvam matérias-primas agrícolas façam o mesmo”.
  • Antoine Fiévet, presidente e CEO da Bel Group (Fromageries Bel SA): “Desde 2014, a Bel e o seu parceiro WWF França apoiam um projeto de campo de proteção ao Cerrado no Mato Grosso, Brasil, para garantir a conservação da biodiversidade através da produção sustentável de soja. Hoje, 17 produtores são certificados pela RTRS e já foram preservados 20 mil hectares de Cerrado. Participar do Manifesto do Cerrado é um novo passo para a Bel que está completamente alinhado com nosso compromisso até 2025 de garantir o abastecimento certificado com desmatamento zero. Estamos orgulhosos de ser uma das 61 principais empresas globais que buscam interromper o desmatamento e a perda de vegetação nativa no Cerrado do Brasil”.
  • Daniel Servitje, presidente e CEO do Grupo Bimbo: “No Grupo Bimbo, celebramos e nos unimos a essa importante iniciativa. Hoje o Cerrado precisa que possamos realizar ações responsáveis para proteger sua biodiversidade. Que esta seja uma das muitas histórias de sucesso para a preservação de nossos ecossistemas. Vamos continuar avançando no cuidado do meio ambiente para entregar um planeta melhor para as próximas gerações.”
  • Olaf Koch, CEO da METRO AG: “A sustentabilidade faz parte da estratégia de negócios da METRO. Nós sempre nos esforçamos para usar nosso alcance global para continuar criando um impacto real. A METRO foi o primeiro varejista alemão a apoiar ativamente o Manifesto do Cerrado, assinando a Declaração de Apoio para ajudar a criar impacto para o importante tema do desmatamento. Estamos satisfeitos por ver que o número de signatários quase triplicou para 61 empresas, em três meses, mas sentimos que todos nós podemos fazer mais. Por isso, apelamos a outras organizações de varejo, bem como a fornecedores, para também agirem assinando a Declaração de Apoio ao Manifesto do Cerrado.”
  • Mike Coupe, Chefe do Executivo, Sainsbury’s Group: “Em 2011, a Sainsbury se comprometeu a garantir que nossos produtos não contribuam para o desmatamento global, e sabemos que trabalhar em colaboração com nossos fornecedores, parceiros e stakeholders locais e internacionais é absolutamente fundamental para alcançar esse objetivo. Estamos orgulhosos de ser um dos primeiros signatários do Manifesto do Cerrado e estamos muito satisfeitos por trabalhar ao lado dos novos signatários da Declaração de Apoio para interromper o desmatamento e a perda de vegetação no Cerrado. Também trabalhamos em estreita colaboração com nossa base de suprimentos para apoiar esta ação coletiva.”

Fonte: WWF

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