‘Consultoria’ de Delfim fraudou leilão de Belo Monte, afirma procurador

Athayde Ribeiro Costa, da força-tarefa da Lava Jato, afirma que poderoso ex-ministro do milagre econômico, alvo da Buona Fortuna, 49.ª fase da operação, ‘ajudou o governo federal a estruturar o consórcio Norte Energia, que foi formado por diversas empresas que a rigor não teriam capacidade para o empreendimento’

Delfim Netto. Foto NILTON FUKUDA/AE

O procurador Athayde Ribeiro Costa, da força-tarefa da Operação Lava Jato, declarou nesta sexta-feira, 9, que a ‘consultoria’ do ex-ministro Antonio Delfim Netto na construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte ‘na verdade constituiu uma fraude ao leilão’. O Ministério Público Federal, em Curitiba, afirma que o ex-ministro da Fazenda da ditadura recebeu R$ 15 milhões em propina por ter ajudado a estruturar o consórcio que participou das obras da usina.

Nesta sexta-feira, 9, a Polícia Federal e a Procuradoria da República deflagraram a Operação Buona Fortuna, fase 49 da Lava Jato, e fizeram buscas na residência e no escritório do ex-ministro em São Paulo. O empresário Luiz Appolonio Neto, sobrinho de Delfim, também foi alvo de mandado de busca e apreensão.

O procurador citou o nome do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula. O pecuarista, já condenado na operação, não é alvo desta fase da investigação. Segundo o procurador, Bumlai ajudou na formação do consórcio, mas ‘não se apurou vantagem indevida a ele’.

“Segundo a investigação, Delfim Netto em conjunto a Bumlai, ajudou o governo federal a estruturar o consórcio Norte Energia, que foi formado por diversas empresas que a rigor não teriam capacidade para o empreendimento. Em virtude dessa ajuda que, na verdade, constituiu uma fraude ao leilão, Delfim Netto foi angariado com o direcionamento das vantagens indevidas que (Antonio) Palocci (ex-ministro dos Governos Lula e Dilma) havia pedido ao PT e ao MDB.”

O procurador sustenta que os pagamentos de propina foram feitos em espécie, no caso da Odebrecht, e em relação às demais empresas em contratos fictícios, um com a empresa LS, do qual é sócio o sobrinho de Delfim Netto, Luiz Appolonio, e à empresa Aspen, da qual é sócio Delfim.

“Ressalto que os contratos pelos serviços de consultoria eram inexistentes”, relatou o procurador.

A Buona Fortuna já rastreou pagamentos que somam R$ 4,4 milhões de um total estimado em R$ 15 milhões, pelas empresas Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS e J. Malucelli, todas integrantes do Consórcio Construtor de Belo Monte, em favor de pessoas jurídicas relacionadas a Delfim.

No caso da Odebrecht os pagamentos foram registrados no sistema de controle de propinas da empresa (‘Drousys’), com o codinome ‘Professor’. O nome da operação é uma referência a uma das empresas de consultoria de Delfim, a ‘Buona Fortuna’.

Delfim foi o todo poderoso ministro da Fazenda do regime militar, entre 1967 e 1974. Ele ficou famoso como o ministro do ‘milagre econômico’.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE PALOCCI

A reportagem está tentando contato com a defesa do ex-ministro Antônio Palocci. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, OS ADVOGADOS FERNANDO ARANEO, RICARDO TOSTO E JORGE NEMR, QUE DEFENDEM DELFIM NETTO

“O professor Delfim Netto não ocupa cargo público desde 2006 e não cometeu nenhum ato ilícito em qualquer tempo. Os valores que recebeu foram honorários por consultoria prestada.”

COM A PALAVRA, LUIZ APPOLONIO NETO

A reportagem fez contato com a defesa de Luiz Appolonio Neto. A defesa informou que só vai se manifestar quando tiver acesso aos dados da investigação.

COM A PALAVRA, O MDB

NOTA – MDB LAVA JATO

O MDB não recebeu propina nem recursos desviados no Consórcio Norte Energia. Lamenta que uma pessoa da importância do ex-deputado Delfim NetTo esteja indevidamente citado no processo. Assim, como em outras investigações, o MDB acredita que a verdade aparecerá no final.

COM A PALAVRA, O PT

NOTA DO PT LAVA JATO ATACA O PT NO ANO ELEITORAL

As acusações dos procuradores da Lava Jato ao PT, na investigação sobre a usina de Belo Monte, não têm o menor fundamento. Na medida em que se aproximam as eleições, eles tentam criminalizar o partido, usando a palavra de delatores que buscam benefícios penais e financeiros.

Brasília, 9 de março de 2018.

Assessoria de Imprensa do Partido dos Trabalhadores

Por: Julia Affonso, Ricardo Brandt, Luiz Vassallo e Fausto Macedo
Fonte: O Estado de São Paulo

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