Projetos do MEC não contemplam a formação de professores da Amazônia, afirma especialista

Ministério da Educação anunciou na quarta-feira, 28, os projetos que serão financiados. Capacitação presencial através do Parfor é necessária para alcançar docentes sem acesso a internet.

Através do Parfor, professores da educação básica têm aulas presenciais durante as férias escolares com os docentes das instituições. (Foto: Divulgação/ Parfor UFPA)
Através do Parfor, professores da educação básica têm aulas presenciais durante as férias escolares com os docentes das instituições. (Foto: Divulgação/ Parfor UFPA)

Ministério da Educação (MEC) anunciou na quarta-feira (28) a liberação de R$ 1 bilhão para a formação de professores por meio de apenas três programas: Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid); Programa de Residência Pedagógica e Universidade Aberta do Brasil (UAB). O orçamento deixa de fora o Plano Nacional de Formação de Professores (Parfor). Para especialistas em educação, a proposta do MEC não contempla os professores da região amazônica.

“Acabaram com o maior programa de formação de professores que este país já teve! O não lançamento de edital para o Parfor presencial decreta o fim do programa e o absoluto descaso com a demanda por formação dos professores da Amazônia, que não têm acesso à educação à distância”, afirma professora doutora Josenilda Maués, coordenadora do Fórum Nacional dos Coordenadores do Parfor e coordenadora adjunta do Parfor na Universidade Federal do Pará (UFPA).

O Parfor foi criado em 2009 para formar professores da educação básica que atuam sem formação adequada nas escolas de todo Brasil. O programa funciona em parceria com as universidades públicas, que enviam seus docentes até os municípios mais longínquos para ministrar as aulas, que ocorrem no período de recesso escolar.

De acordo com a coordenadora do ForPafor, somente a UFPA já atendeu mais de 13 mil professores com os cursos de licenciatura e essa demanda continua grande, segundo dados da Plataforma Freire 2, um sistema informatizado do MEC.

A demanda divulgada pelas instituições mostra que mais de 50 mil professores se inscreveram para fazer os cursos do Parfor, somente na região Norte essa demanda é de mais de 25 mil professores. “Mais de 2.700 professores pediram o curso de Pedagogia. O Pará não tem Pedagogia à distância nas universidades públicas”, ressalta a professora.

Segundo o ministério, serão oferecidas 190 mil vagas para formação de professores e de estudantes de cursos de licenciatura. Ainda de acordo com o MEC, estão previstas: 45 mil vagas no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid); 45 mil vagas no Programa de Residência Pedagógica; e 100 mil vagas na Universidade Aberta do Brasil (UAB).

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) respondeu em nota, que as turmas do Parfor em andamento terão asseguradas o financiamento necessário enquanto estiverem vigentes. Sobre novas ofertas, serão feitas a partir do levantamento de demanda por meio dos cadastros na Plataforma Freire 2. A coordenação afirma ainda que, acredita que será possível atender de maneira mais eficiente a formação de novas turmas em todo país.

Prejuízos para a educação

O fim da formação de professores considerada ideal para a região, através do Parfor, pode gerar reflexos negativos para a educação no estado. O Pará já tem a pior taxa de distorção escolar do Brasil nos ensinos Fundamental I e Médio, segundo dados do Censo Escolar 2017. Na prática, significa que o estado tem o maior número de alunos atrasados em relação a série e idade.

“A situação escolar no Pará atribuo a vários fatores. Um deles é a alfabetização, que ocorre na idade inadequada e acaba se transformando em uma bola de neve ao longo do processo. Outra questão séria é a formação dos nossos professores. Muitos desenvolvem, por exemplo, formas de avaliação muito tradicional. Temos muitas vezes uma escola que prepara o aluno para a reprovação”, diz Ival Rabelo, mestre em Educação.

Fonte: G1

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