Sarney Filho cria seis áreas protegidas no último dia como ministro

Foto: Paulo de Araújo/MMA.

Minutos antes de pedir exoneração do cargo, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, assinou a criação de seis novas Unidades de Conservação, dentre elas o Parque Nacional do Boqueirão, na Bahia, cuja luta para a criação já durava mais de 15 anos. Os decretos fecham uma gestão que tirou da gaveta a criação e ampliação de áreas protegidas importantes, como o Refúgio da Vida Silvestre de Alcatrazes, criado em 2016, e a ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, pautas caras para os conservacionistas.

Em clima de celebração, foram decretadas as reservas extrativistas de Tubarão, Arapiranga-Tromai e Itapetininga, todas de ambientes de manguezal e mar costeiro localizadas no Maranhão. Entre Roraima e Amazonas, foi decretada a reserva extrativista do Baixo Rio Branco – Jauaperi, com 600 mil hectares. A estrela da lista e a mais esperada pelos ambientalistas foi a criação do mosaico de áreas protegidas do Boqueirão da Onça, no coração da Caatinga. Foram criados o Parque Nacional, de proteção integral, e a APA (Área de Proteção Ambiental), que permite propriedade privada e exploração econômica. A decretação de Boqueirão foi uma grata surpresa para pesquisadores e ambientalistas. Desde o aumento do preço da terra na região por causa do interesse da indústria eólica de se estabelecer no local, as negociações emperraram. Acabou saindo do papel no mês em que se celebra a Caatinga.

“O importantíssimo e quase mitológico conjunto de Parque Nacional e Área de Proteção Ambiental do Boqueirão da Onça, no coração da Caatinga, estava proposto e paralisado há mais de dez anos. A criação da Resex do Baixo Rio Branco/Jauaperi idem. Estas vem preencher um espaço faltante de um corredor ecológico que vai do Atlântico ao Pacífico. Como a última peça de um grande quebra-cabeças, a baía do Tubarão completa a proteção dos manguezais da foz do Amazonas, que foi reconhecida há menos de um mês como Sítio Ramsar – Área Úmida de Relevância Planetária”, explica José Pedro de Oliveira Costa, Secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA.

Segundo José Pedro, nesse movimento de criação das novas áreas protegidas, o governo está resgatando “uma agenda que estava deficitária há muitos anos”.

Troca-troca

Em nota publicada nas redes sociais, o agora ex-ministro agradece a equipe do Ministério e das autarquias. Ele sai para concorrer ao Senado. Em seu lugar, está cotado para assumir o ex-deputado Edson Duarte (PV), atual secretário de Articulação Institucional do Ministério do Meio Ambiente, que tem o apoio do ministro e de ambientalistas. Já os ruralistas lutam pela indicação do atual presidente da Embrapa, Maurício Lopes. Dependendo do que decidir o presidente Temer, poderá haver continuidade na equipe ou uma mini reforma ministerial na área ambiental federal.

Por Carolina Lisboa
Fonte: ((o)) eco

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