Estudo indica que botos podem estar ‘criticamente ameaçados’ na Amazônia

Monitoramento indica que boto-tucuxi perde metade da população a cada 9 anos. Foto: Vera da Silva.

A contagem de botos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, interior do Amazonas, indica um rápido declínio da população de botos encontrados na região. A preocupante redução no número de animais, somada a outras ameaças, são suficientes para classificá-los como “Criticamente Ameaçados”, pelos critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em Inglês).

A avaliação é feita por uma equipe liderada pela bióloga Vera da Silva, chefe do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (LMA/Inpa), em um artigo publicado nesta quarta-feira (02) na PLOS One. Ele traz o resultado do monitoramento realizado entre 1994 e 2017, em Mamirauá e entorno.

O estudo tem como base a contagem das duas espécies que ocorrem na região, os botos-vermelho ou cor-de-rosa (Inia geoffrensis) e botos-tucuxi (Sotalia fluviatilis). Atualmente, a IUCN considera que não existem dados suficientes para classificar o risco que as duas espécies sofrem de serem extintas.

População em declínio

A estimativa feita com base nos dados coletados em Mamirauá indica que o declínio população de botos-tucuxi ocorre mais rapidamente, com a perda de metade da população a cada 9 anos. Já o boto-vermelho perde metade da população a cada dez anos, segundo o estudo.

“Os nossos dados são apenas do sistema Mamirauá e entorno, o que é preocupante porque é uma área de reserva, provavelmente a mais bem protegida do estado”, destaca Vera da Silva. Ela lembra que nos quase 500 quilômetros entre Manaus e Mamirauá não existe nenhuma área protegida. “Se para uma área para a Amazônia ou do estado do Amazonas está acontecendo isso, acho que nós podemos extrapolar.”

De acordo com Vera da Silva, a equipe de pesquisadores analisou a situação dos botos na Amazônia com base em todos os critérios da IUCN. Para ela, a principal ameaça ao boto-vermelho é a captura direta, para uso de isca na pesca da piracatinga. Já para o tucuxi, não existem muitos registros de captura, mas ele sofre com as redes de pesca utilizadas na região.

As duas espécies sofrem ainda diversas outras ameaças, como construção de barragens de hidrelétricas, contaminação por mercúrio, hidrocarbonetos, organoclorados e outros, destruição do habitat e competição com a pesca.

A contagem de botos é feita com base em animais vistos por pesquisadores, que percorrem os rios em barcos a uma velocidade de aproximadamente 10 Km/hora, nem tão rápido que prejudica a visualização, nem tão lento que possibilite que o mesmo animal seja visto duas vezes em locais diferentes.

O projeto Boto é financiado pelo programa Petrobrás Ambiental/Amigos do Peixe Boi da Amazônia, Inpa/Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação e recursos destinados em acordos para compensação ambientais, firmados com o Ministério Público Federal.

Por: Vandré Fonseca
Fonte: ((o)) eco

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