NASA vai terminar programa que monitoriza gases com efeito de estufa

Artigo na revista científica Science denunciou a decisão da administração Trump que terá “silenciosamente” cancelado o programa Carbon Monitoring System (CMS) da agência espacial norte-americana.

A agência espacial norte-americana NASA vai terminar o programa que monitoriza o dióxido de carbono e o metano na atmosfera, disse um porta-voz da agência, na sequência de um artigo publicado na revista Science. No artigo, publicado na quinta-feira, a Science denunciou que a Casa Branca “matou silenciosamente” o programa da NASA que monitoriza os gases responsáveis pelo efeito de estufa – “A administração do Presidente [dos Estados Unidos] Donald Trump matou silenciosamente” o programa Carbon Monitoring System (CMS).

O CMS procura fontes de emissão e de fuga de dióxido de carbono, que provocam o efeito estufa no planeta Terra, adianta o artigo que comeca por lembrar que “não se pode gerir o que não se consegue medir” e que sublinha a importância do CMS, uma linha de investigação que começou em 2010 e envolve um investimento anual de 10 milhões de dólares (cerca de 8,5 milhões de euros). O corte neste financiamento foi proposto no início de 2017, pela administração de Donald Trump, e aprovado a 23 de Março deste ano.

Segundo o mesmo artigo, a NASA “recusou-se a explicar a razão para o cancelamento deste programa, referindo apenas as restrições orçamentais e a existência de prioridades mais urgentes, no orçamento para a ciência”. No entanto, de acordo com Stephen Cole, o porta-voz da NASA para esta área, o Presidente dos Estados Unidos tentou cancelar no ano passado cinco programas da agência, incluindo o CMS.

A mesma fonte declarou que, após uma longa deliberação, o Congresso decidiu manter o financiamento para quatro dos cinco programas, mas o programa CMS acabou por ser cancelado. Os subsídios já atribuídos para alguns projectos ao abrigo deste programa serão honrados, mas nenhum novo estudo será lançado, garante o artigo da Science. Numa resposta por email ao PÚBLICO, Stephen Cole sublinha apenas que o “cancelamento do programa de investigação do CMS não reduz a capacidade ou o compromisso da NASA em monitorizar o carbono e os seus efeitos no nosso planeta em mudança”. E acrescenta um exemplo: “O GEDI [Global Ecosystem Dynamics Investigation], um novo instrumento de monitorização de carbono no ecossistema, deve ser lançado na Estação Espacial Internacional no final do ano”.

“O cancelamento deste programa pode ameaçar o controlo das emissões de gases de efeito de estufa dos países que estão no acordo de Paris”, reagiu o director do Centro Internacional de Políticas para o Meio Ambiente da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, Kelly Sims Gallagher. “Se não pudermos medir as reduções de emissões, não podemos confiar que os países estão cumprir o acordo”, acrescentou.

Em meados do ano passado, Trump anunciou a retirada do país do Acordo de Paris, argumentando que o pacto põe em “permanente desvantagem” a economia e os trabalhadores norte-americanos. Com esta decisão, os Estados Unidos libertaram-se dos compromissos climáticos fixados em Paris, que incluem a meta proposta pelo antigo Presidente Barack Obama de reduzir até 2025 as emissões de gases de efeito de estufa entre 26% e 28% em relação aos níveis de 2005.

Concluído em 12 de Dezembro de 2015 na capital francesa, assinado por 195 países e já ratificado por 147, o acordo entrou formalmente em vigor em 4 de Novembro de 2016, e visa limitar a subida da temperatura mundial a menos de 2º Celsius através de uma redução das emissões de gases com efeito de estufa.

Apesar do cancelamento deste programa de monitorização das emissões de carbono, o artigo da Science lembra que “a NASA está actualmente envolvida em missões que passam por ter vários observatórios de carbono no espaço, incluindo o OCO-3, que deve ser montado na Estação Espacial Internacional no final deste ano, e o Observatório do Ciclo de Carbono Geoestacionário, que deve ser lançado no início da próxima década”. E conclui: “O CMS ajudaria a unir todas essas observações.”

Há também outras instituições norte-americanas que vão continuar o seu trabalho nesta área, nomeadamente o Instituto de Investigação Scripps, na Califórnia, que faz o registo diário das emissões (a chamada Curva de Keeling) a partir de dados de um instrumento que se encontra no topo do vulcão Mauna Loa, no Havai, e que mede, desde o final dos anos 50, a concentração do dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

Por outro lado, a aposta neste tipo de vigilância das emissões de CO2 mantém-se no resto do mundo, designadamente na Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) que tem vários projectos associados com satélites para monitorizar a atmosfera do planeta, as emissões de carbono e o impacto das alterações climáticas.

Fonte: LUSA /PÚBLICO

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