Estrutura sustentável para manejo de jacarés recebe licença do Governo do Amazonas

Planta de Abate Remoto (Plantar) é uma tecnologia do Instituto Mamirauá e vai usar fontes renováveis de energia para o manejo. Licença de operação ambiental foi assinada nessa quarta-feira (15), em Manaus.

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) assinou a licença de operação ambiental de uma estrutura sustentável para manejo de jacaré. A assinatura aconteceu nessa quarta-feira (20) em Manaus. “Essa é a primeira estrutura de abate para manejo de fauna silvestre, no caso específico jacarés, no Amazonas”, afirma o diretor Técnico-Científico do Instituto Mamirauá, João Valsecchi.

Chamada de Planta de Abate Remoto (Plantar), a estrutura para o manejo funcionará na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, região do Médio Solimões. O manejo será feito pelas comunidades tradicionais que vivem na reserva, seguindo a legislação estadual vigente e unindo sustentabilidade, tecnologia e inovação.

Avanço no manejo

O manejo de jacarés é autorizado no estado há mais de cinco anos, mas a falta de conformidade com as exigências higiênicas e sanitárias ainda é um entrave para a prática das atividades. A Plantar foi desenvolvida pelo Instituto Mamirauá para atender a essas questões e para que a carne de jacaré manejada chegue ao consumidor com qualidade e segurança.

Estrutura sustentável

As instalações da Plantar estão em sintonia com tecnologias que causam baixo impacto ambiental. A estrutura flutuante de metal, de 112 metros², é alimentada por fontes renováveis de energia, como painéis de energia solar e um sistema de abastecimento que aproveita água das chuvas, abundantes na região. A água passará por tratamento, assim como os efluentes produzidos pelo manejo.

Planta de Abate Remoto é uma ação financiada pela Fundação Gordon and Betty Moore.

Próximos passos

A licença de operação ambiental, concedida pelo IPAAM, é uma das etapas para o manejo de jacarés. A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Amazonas (ADAF) realizará uma vistoria técnica na estrutura flutuante para a obtenção do SIE (Serviço de Inspeção Estadual) /AM.

Em seguida, o Instituto Mamirauá vai solicitar ao IBAMA uma cota de jacarés para o manejo inaugural. “Com o licenciamento da estrutura de abate para o manejo, a primeira licença comercial para abates de jacarés na Reserva Mamirauá vai poder ser solicitada e vai atender uma grande demanda das populações locais, que é justamente trabalhar o manejo das duas espécies de jacarés, o jacaré-açu e o jacaretinga, na região”, ressalta o diretor Técnico-Científico do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Por: João Cunha
Fonte: Instituto Mamirauá

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