Natal em janeiro e torcida dividida na Copa: conheça a colônia russa no Mato Grosso

Iulia Ovchinnikov e Felessata Kilin
Iulia Ovchinnikov, de 16 anos, e Felessata Kilin, de 18, vivem na região desde o nascimento

Os descendentes de russos que vivem na zona rural de Primavera do Leste (MT) carregam consigo costumes que eram adotados no início do século passado. As vestimentas e o modo como vivem os moradores de Colônia Russa, localidade a 40 km da cidade fundada pelos descendentes, buscam preservar a tradição de seus antepassados. E, enquanto lutam para manter seus hábitos, tentam se adaptar ao avanço da tecnologia.

Muitos deles trabalham na cidade, nas feiras, comercializando itens que plantam. Uma das características que mais impressionam os visitantes de Primavera do Leste, de 59 mil habitantes, são as roupas usadas por eles. Em meio ao sol escaldante da região, localizada no Cerrado, mulheres usam longos vestidos e homens, blusas de manga longa. As roupas são confeccionadas pelas moradoras da comunidade.

A poucos dias da Copa do Mundo na Rússia, os moradores do lugar se dividem ao comentar sobre a seleção para a qual irão torcer e não planejam comemorações durante o Mundial. Apesar da torcida dividida, muitos são assertivos sobre o país ao qual se sentem pertencentes: afirmam que se consideram russos, mesmo tendo nascido em solo tupiniquim.

Os primeiros descendentes de russos chegaram à região rural de Primavera do Leste no início dos anos 1970. Na época, o município mato-grossense ainda não havia sido fundado. Ele foi criado em maio de 1986.

Conforme o historiador Vitale Joanoni Neto, coordenador de pós-graduação em História da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), grande parte dos costumes adotados na colônia não são mais utilizados na Rússia. “Por exemplo, eles se vestem como seus antepassados. É pouco provável que usem essas roupas por lá hoje. Mas como mantêm contato com o país de seus ancestrais, sabem que a cultura mudou, mas procuram mantê-la, ainda assim.”

Escola
Escola Estadual Campo Massapé é a única na região e metade de seus alunos são moradores da colônia

A colônia russa de Primavera do Leste é uma das mais tradicionais no país. Além dela, existem outras em cidades como Ponta Grossa (PR) e Montividiu (GO). Conforme o Consulado da Rússia no Brasil, não há nenhum levantamento sobre a quantidade de habitantes nos locais.

A Revolução Russa

O périplo dos russos pelo mundo foi motivado pela Revolução Russa, de 1917. O levante contra o regime czarista, em plena Primeira Guerra Mundial, implantou o socialismo, sistema político-econômico com ideias formuladas por Marx e Engels, na qual era proposta a extinção da propriedade privada.

A Igreja Ortodoxa Russa – seguida na colônia – passou a ser perseguida durante a revolução. Segundo Vitale Joanoni, muitos religiosos tiveram de deixar o país da Eurásia. “Por ser vista como aliada da família real, a Igreja Ortodoxa era considerada inimiga. A Revolução Russa proibiu a igreja de se manifestar livremente. Professar a fé não era proibido, mas o ritual eclesiástico, sim. Por isso, os que insistiam em celebrar missas e expressar a religião de modo público, eram perseguidos. Essa comunidade foi perseguida porque era muito religiosa e resistia”, diz.

Vinda ao Brasil

Diante da perseguição, cristãos ortodoxos fugiram da Rússia para a Sibéria, por volta de 1917. Posteriormente, após enfrentarem novas perseguições, migraram para a China, onde também passaram a ser perseguidos. Desta forma, decidiram ir para outros continentes. De navios, foram se espalhando pelo mundo. Muitos vieram para a América do Sul. Alguns migraram para a Argentina, Uruguai ou Bolívia, onde também existem diversas colônias.

Em meio ao sol escaldante, mulheres da colônia russa usam longos vestidos e afirmam não se incomodar com calor. Foto: GILBERTO LEITE/RDNEWS

Os que chegaram ao Brasil foram para Ponta Grossa. Anos mais tarde, parte deles – cerca de 350 famílias – migrou para o Cerrado mato-grossense. Eles foram atraídos para a região em decorrência das terras ofertadas a preços módicos, durante o projeto de ocupação da Amazônia, estratégia do regime militar. Entre os primeiros moradores da colônia, havia apenas um casal de idosos nascido na Rússia (ambos já morreram), os demais eram descendentes.

Na região mato-grossense, uma propriedade de 10 mil hectares (100 km²) foi dividida entre os descendentes. A área foi expandindo conforme cada um foi adquirindo novas terras e atualmente engloba, aproximadamente, 60 mil hectares.

A colônia se assemelha a uma grande fazenda, dividida em três unidades: Massapé, Beira-Rio e Cinturão Verde. Cada uma delas fica em uma região diferente. Os mais abastados vivem em Massapé. A cultura é a mesma, mas cada grupo tem sua igreja e cemitério.

As propriedades não possuem muros ou portões. Entre as casas, há aquelas que são maiores e com arquitetura mais elaborada. Outras são menores e mais simples. Os espaços são considerados individuais e cada um deles possui um proprietário diferente.

Mulher pilotando moto
Mulheres da colônia aprendem a dirigir tratores e pilotar motos ainda na infância

Conforme estimativas dos moradores, o lugar abriga, atualmente, mil descendentes de russos, divididos em 120 famílias. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não possui levantamentos oficiais sobre a quantidade de habitantes na colônia.

“Muitos não aguentaram a quantidade de trabalho e foram para outros lugares”, relata o agricultor Larion Ovchinnikov, um dos líderes da região. A família dele foi uma das primeiras a chegar ao local.

Desde que chegaram à colônia, os descendentes de russos trabalham no setor da agricultura e da pecuária. As rendas de muitos deles vêm de plantações de soja, milho, feijão, girassol ou algodão. Há também os que possuem diversas cabeças de gado. Existem, na região, grandes produtores, que negociam com empresas. Há ainda os que possuem plantações ou criações menores e costumam comercializar os itens em uma feira, no Centro de Primavera do Leste.

O ensino na colônia

Uma das principais formas que os descendentes encontram para manter a cultura entre os mais novos é o ensino do idioma russo. As crianças são alfabetizadas na língua do país de seus ancestrais. Em casa, as famílias falam apenas russo. “É uma forma de a gente não perder o costume de praticar a língua”, justifica Felessata Kilin, 18 anos, que nasceu na colônia.

Mãe de quatro filhos, a dona de casa Vera Kuznetsov, de 40 anos, comenta que as crianças devem aprender, a princípio, somente o russo, para depois conhecer o português. “Com um dos meus filhos, ensinei as duas línguas juntas. Mas ele pegou só o português, porque achou mais fácil. Ele não aprendeu o russo direito. Já com a minha filha mais nova, ensinei somente o russo primeiro e depois o português. Ela aprendeu muito bem os dois.”

Os responsáveis pela alfabetização dos filhos são os próprios pais. Na colônia, há uma escola rural que é mantida pelo Estado. No lugar, o ensino é apenas em português. Até 2012, quando o colégio era municipal, havia professores – moradores da região – que ensinavam russo aos estudantes.

Cartilha usada na colônia
Cartilha usada por descendentes de russos para alfabetizar os filhos na colônia

Logo que se tornou estadual, a escola deixou de ter professores de russo. A Secretaria Estadual de Educação de Mato Grosso afirma que nunca ofereceu professores de russo porque a língua não faz parte das disciplinas obrigatórias da grade curricular do Ministério da Educação (MEC).

A escola rural localizada na colônia possui 200 alunos. Destes, metade é composta por descendentes de russos. Os outros são filhos de pessoas que trabalham na região.

Na escola, os alimentos para os descendentes de russos são feitos somente por cozinheiras que também seguem a tradição. Na unidade de ensino, é utilizado o calendário juliano, seguido pelos cristãos ortodoxos. Nele, são definidos os dias nos quais poderão comer determinados alimentos. Os feriados do calendário também são respeitados. “Essas datas são repostas nos sábados”, comenta Dóres Emores, diretora da escola da região.

Em relação aos estudos, a diretora acredita que os descendentes de russos costumam ser mais aplicados. “Eles leem mais e têm mais interesse durante as aulas. Acredito que seja porque têm menos contato com a tecnologia”, diz. A tecnologia passou a fazer parte da rotina dos jovens da colônia há poucos anos. “A gente tem celular e acesso à internet. Mas alguns anos atrás, muitas casas não tinham nem televisão”, conta Felessata Kilin.

Um dos empecilhos enfrentados pela unidade de ensino é a evasão escolar. Isso porque os descendentes de russos têm o costume de começar a trabalhar ainda na infância, nas plantações dos pais. “Desde os 13 anos dirijo o caminhão do meu pai. Também já dirigi uma pá-carregadeira, mas fiquei com muito pavor e não consegui andar muito, porque ela é muito pesada e lenta. Acho normal ajudar nas plantações, porque todos fazem isso”, relata uma jovem que vive na colônia e pediu para não ser identificada.

O historiador Vitale Joanoni afirma que é comum a presença de crianças na agricultura familiar. “Não é uma particularidade dessa comunidade, isso é comum no meio rural do Brasil, por mais triste que possa parecer”, ressalta.

Plantação de girassol
Colônia russa de Primavera do Lestetem uma extensa plantação de girassóis

Para reduzir a evasão escolar na região, o Ministério Público de Mato Grosso acompanha a frequência dos estudantes. “As presenças e faltas são publicadas diariamente em um sistema. Quando um aluno falta muito, o MP verifica os motivos das ausências”, assegura a diretora. “Houve caso de o estudante dizer que desistiria da escola na oitava série. Mas como o sistema de rematrícula é automático, foi matriculado no primeiro ano do Ensino Médio. Então, o MP veio para saber o motivo de ele estar faltando. Depois disso, o garoto voltou para a escola”, comenta Dóres.

Os casamentos

Entre as mulheres da colônia, o modo como se vestem distingue as solteiras das casadas. As solteiras usam tranças, conforme determina a tradição. Algumas saem com o cabelo solto, porém o ato é considerado moderno e nem sempre agrada os moradores mais antigos. As casadas utilizam um lenço que esconde o cabelo.

Outra característica das mulheres da colônia é a prática do artesanato. Elas aprendem a bordar na infância. Com o tempo, algumas chegam a comercializar itens como roupas ou acessórios.

Diretora Dóres Emores
Diretora da única escola da região, Dóres Emores revela que há diversas adaptações na escola, em razão dos descendentes de russos

Parte das mulheres da colônia se casa aos 15 anos ou pouco depois. “Antes era mais comum o casamento nessa idade, mas hoje as jovens preferem esperar mais tempo”, comenta Dóres. Em abril, uma adolescente de 15 anos se casou com um jovem de 22, que vive em uma colônia na Argentina. “Ela disse que estava feliz. Depois que as noivas se casam, passam a se tornar responsabilidade da família do marido. Tanto é que essa adolescente foi para a Argentina. Ela deixou os estudos para casar, mas prometeu que irá retomá-los”, conta Dóres.

Diversos matrimônios que acontecem no local costumam ser organizados pelos pais dos noivos, que querem que os filhos se relacionem com outro descendente russo, seguidor da Igreja Ortodoxa, para que mantenham a tradição.

Comumente, são realizadas cerimônias entre colônias russas espalhadas pela América do Sul – há outras em países como Argentina, Bolívia e Colômbia. Um dos objetivos dessas reuniões é fazer com que jovens descendentes de russos se conheçam, para que, caso haja interesse, se casem e mantenham viva sua tradição. A busca por moradores de grupos de outros países tem um motivo: a tradição deles não permite que os descendentes se casem com pessoas que tenham algum tipo de parentesco até a oitava geração da família.

Casa da colônia
Uma das residências localizadas na colônia, que tem casas de diferentes tamanhos

Larion Ovchinnikov afirma que não há nenhum tipo de impedimento para que descendentes de russos se casem com pessoas de outras culturas. “O certo era casamento entre descendentes, por causa da cultura, tradição e religião. Mas acontecem casamentos com pessoas de fora. Ninguém proíbe nada. Hoje, os filhos são mais modernos que os pais. Não existe mais casamento arranjado.”

O passar das décadas fez com que a colônia abrisse exceção aos casamentos com pessoas de outras culturas. Para que se case no local, é necessário que a pessoa se converta à Igreja Ortodoxa. Caso contrário, o casal precisa deixar a colônia e migrar para outra a região. O destino mais comum, neste caso, é a zona urbana de Primavera do Leste. Na cidade, há descendentes que deixaram a colônia, após se envolverem com brasileiros.

Quando segue os costumes da colônia, a cerimônia dura uma semana. No período, são feitas comemorações como despedida de solteiro dos noivos, cerimônia religiosa e uma festa com churrasco, que pode durar dois dias. Durante a semana, as madrinhas da noiva confeccionam o vestido com o qual a jovem vai se casar.

Costumes diferentes

O calendário juliano, seguido na colônia, é atrasado em 13 dias, em relação ao gregoriano, adotado pela maioria dos países. Em razão da diferença, os descendentes comemoram o Natal em sete de janeiro. “No dia 25 de dezembro, não fazemos nada, apenas descansamos. É um dia como outro qualquer. A nossa comemoração acontece dias depois”, diz Larion.

Na colônia, eles não comemoram Réveillon. “Janeiro não é um novo período para a nossa crença. A gente acredita que todos os meses podem ser ano novo”, explica o agricultor.

Alheios a grandes comemorações, Larion relata que os moradores da colônia costumam realizar festas somente quando há casamentos. “Não temos comemorações em outras datas. Faz parte da nossa cultura ser assim”, afirma. Para a Copa do Mundo, não há nenhuma decoração ou algo que remeta ao Mundial deste ano.

Placa indica entrada da colônia
Sinalização na entrada da colônia, na zona rural de Primavera do Leste (MT)

Apesar disso, moradores afirmam que estão animados para assistir ao Mundial. “Vamos acompanhar os jogos e torcer”, afirma Felessata Kilin. Enquanto uns querem a vitória do Brasil, outros escolhem a Rússia. “Está muito dividido, mas se tiver jogo do Brasil contra a Rússia, vou torcer pelo Brasil”, garante a jovem.

O futebol é considerado um dos esportes preferidos dos moradores da colônia. Para a Copa do Mundo, a escola da região planeja enfeitar o pátio com pequenas bandeiras do Brasil e da Rússia. “Acredito que será a única decoração em toda a colônia”, comenta Dóres Emores.

Preconceitos

Diariamente, diversos moradores da colônia vão à região central de Primavera do Leste. Segundo eles, uma das maiores dificuldades que enfrentam é o preconceito. Os descendentes de russos afirmam que são alvos de constantes olhares de reprovação. “Sempre tem algum tipo de comentário, seja por conta das nossas roupas, da barba ou pelo modo como falamos. Isso sempre existe, mas não sei o porquê”, diz Larion.

“Muitos se consideram russos, mas somos brasileiros em nossos documentos, apesar de seguirmos outra cultura. Somos corretos, mesmo tendo religião e costumes diferentes”, completa.

Desde a infância, a estudante Iulia Ovchinnikov, de 16 anos, percebeu que vivia em uma região diferente das demais. Para ela, no entanto, o fato nunca foi um problema. “Eu acho tudo isso normal, vivo aqui desde que nasci. Percebo que há muita diferença entre a minha colônia e o Brasil, principalmente no modo de se vestir e o modo que a gente vive”, observa.

Um dos fatos que mais incomodam os moradores da colônia russa é a suspeita de que eles não costumam gostar de banhos. “Muita gente diz isso, mas é mentira. Tomamos mais de um banho por dia, como muitos brasileiros. O clima daqui é muito quente, não podemos tomar pouco banho como em regiões mais frias como a Rússia”, diz Felessata.

Mulheres na colônia
Tradição determina que solteiras utilizem tranças, apesar de algumas usarem o cabelo apenas preso; casadas devem usar um lenço

Ao mencionar os cuidados com a higiene pessoal, os moradores da colônia comentam sobre uma espécie de ritual de purificação, no qual tomam banho em uma sauna a vapor, com alguma essência, para limpar o corpo. “É bom para a saúde. Sempre tomamos esse banho quando temos um feriado ou quando achamos necessário. Depois da sauna, vamos para o chuveiro ou para a hidromassagem”, relata Larion. Segundo ele, por conta do ritual, cerca de 80% das casas da região possuem sauna.

Enquanto os descendentes de russos afirmam que são discriminados, muitos moradores de Primavera do Leste acreditam que os vizinhos é que têm preconceito com aqueles que não seguem seus costumes. “Eles não deixam nem mesmo os brasileiros tomarem no mesmo copo. Quando alguém que não seja da cultura russa vai à casa deles, o que é difícil, só pode beber em copo de plástico”, conta uma moradora da cidade, que pediu para não ser identificada.

Larion, porém, afirma que os costumes da colônia são interpretados de maneira equivocada por quem não compreende a cultura deles. “Em casa, por exemplo, é comum cada um ter seus talheres, seus copos e pratos. Isso não tem a ver com o fato de a pessoa ser brasileira ou não. É questão de higiene, porque compartilhar essas coisas pode ocasionar doenças”, justifica.

Ida para a Rússia

Primavera do Leste
Primavera do Leste, fundada em 1986 é principal referência urbana de descendentes que vivem na zona rural

Entre os moradores da colônia, muitos pensam em migrar para a Rússia. Eles afirmam que o governo do país ofereceu terras para os descendentes. “Eles querem pessoas que trabalhem e sabem que nós somos trabalhadores. Representantes do governo russo já estiveram aqui e fizeram a proposta”, declara Larion.

Diante da possibilidade, alguns demonstram interesse em se mudar para o país dos antepassados. “Já morei na Rússia por nove meses. Talvez, com essa oportunidade, eu me mude para lá. Mas não sei se quero mesmo deixar o Brasil”, diz Felessata Kilin.

Outros, porém, declaram estar decididos: vão permanecer em Primavera do Leste. “Gosto muito daqui, porque é tranquilo. Além disso, prefiro o calor. A minha mãe disse que pensa em se mudar. Mas vou continuar aqui”, pontua Vera Kuznetsov.

O historiador Vitale Joanoni explica que a ida dos descendentes para a Rússia é possível em razão do fim da perseguição religiosa. “O Estado Soviético caiu em 1989 e a União Soviética se estilhaçou. Desde então, a fé voltou a ser proferida publicamente, as igrejas voltaram a se manifestar e as religiões voltaram com muita força. Desde então, a religião ortodoxa continua sendo muito importante para o país”, relata.

Fonte: BBC

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