Planta geneticamente melhorada combate ‘vassoura de bruxa’ em plantações de cupuaçu no AP

Variedade é mais resistente a doença e processo é feito através de enxertamento da copa da árvore. Agricultores do Amapá aprenderam técnica em treinamento realizado pela Embrapa.

Vassoura de bruxa ataca cupuaçuzeiros e reduz a produtividade da planta  (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)
Vassoura de bruxa ataca cupuaçuzeiros e reduz a produtividade da planta (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)

No Amapá, agricultores com plantações de cupuaçu infectados com vassoura de bruxa foram instruídos sobre como combater a praga, que ataca os frutos e reduz a produtividade da planta. Um método que utiliza o enxertamento em um pequeno ponto na copa da árvore apresenta uma variedade mais resistente à doença.

O enxerto é resultado da seleção e cruzamento de clones e foi desenvolvido por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no Pará. Especialistas vieram até o Amapá administrar um treinamento aos produtores da região. Há 14 anos os especialistas vêm fazendo melhoramentos genético de espécimes em laboratório.

Planta fica com ramos curvados, coloração alterada, as folhas crescem em tamanho maior que o normal (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)
Planta fica com ramos curvados, coloração alterada, as folhas crescem em tamanho maior que o normal (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)

Vassoura de bruxa é uma doença causada por um fungo, que chega na planta através de esporos dispersos no ar. Passa de uma planta para outra em função do vento, temperatura e umidade de outros cupuaçuzeiros atacados.

A explicação é do doutor em melhoramento genético da Embrapa-PA, Rafael Alves. Ele explica que, visualmente, a planta fica com ramos curvados, coloração alterada, as folhas crescem num tamanho maior que o normal, ramificam-se de forma desordenada e o tecido que era sadio fica mais grosso.

O pesquisador conta que pomares inteiros já foram perdidos em razão da contaminação de árvores. No Amapá, o agricultor Ramiro Rodrigues viveu essa experiência devastante. Para combater a doença, ele resolveu buscar o conhecimento oferecido pela Embrapa.

“Na minha plantação a vassoura de bruxa chegou em pouco tempo e eu não sabia como combater. Perdi toda a produção. Eu colhia 1,5 mil quilos de polpa por ano, o que é uma grande vantagem para o pequeno produtor. Acho que posso recuperar minha safra depois dessa técnica. Eu confio, para fazer um melhoramento geral nas minhas plantas e levar para os vizinhos”, relatou.

O controle é simples, Alves explica que consiste em trocar a copa das árvores por tecidos da planta melhorados geneticamente. Os tecidos dessa planta nova são enxertados na planta velha, atacadas pela vassoura de bruxa.

Uma pequena placa do galho é retirada e no lugar é fixado o tecido melhorado em laboratório. É preciso acompanhar a planta por 30 dias pra ver se o enxerto pegou. Depois de mais sete dias o galho sofre um corte próximo da área enxertada, dando início a formação de uma nova copa, que vai ser resistente ao fungo.

“Esse processo visa transformar uma planta improdutiva em altamente produtiva. Em dois anos a árvore já começa a ter produção, e em três anos após o processo, começa a produzir como uma planta adulta. Na verdade ela já é adulta, o que se renova é a copa”, disse o doutor.

O cupuaçuzeiro é uma planta nativa da Amazônia e encontra condições ideais para desenvolvimento em todos os estados da região. O Pará é o maior produtor, mas os agricultores amapaenses já estão de olho no potencial do fruto e também querem competir no mercado internacional, a começar pela exportação para a Guiana Francesa, através de um projeto intitulado “Amapá Agroindustrial”.

“Estamos preparados para instalar o projeto Amapá Agroindustrial na Zona Franca Verde de Santana. A zona atrai indústrias para o estado e, pela legislação, toda a indústria que for produzir goiabada, abacaxi em calda, licor, e outros, tem que adquirir a polpa certificada aqui. Nosso foco é ganhar o mercado internacional por meio da Guiana Francesa e já estamos nesse caminho”, fala confiante o presidente da Cooperativa de Agricultores da Gleba do Matapi, Mauro Souza.

De acordo com a Embrapa, o cupuaçu é valorizado no mercado nacional em razão do sabor exótico e possibilidades de utilização pela agroindústria. A polpa é bastante apreciada, sendo indicada para o preparo de sucos, sorvetes, tortas, licores e geleias. As sementes são utilizadas para extração de gordura e fabricação da manteiga de cupuaçu.

O curso realizado pela Embrapa-AP ocorreu no dia 19 de junho e teve a participação de um grupo de agricultores locais. Pela manhã, os pesquisadores Raimundo Pinheiro Lopes Filho, da Embrapa Amapá, e Rafael Moysés Alves, da Embrapa Amazônia Oriental (Pará), apresentaram a técnica aos participantes. À tarde, o curso teve continuidade em uma área rural localizada no Pólo Hortifrutigranjeiro de Fazendinha, distrito de Macapá.

Fonte: G1
Com informações da Rede Amazônica

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