Professor de escola ribeirinha no Pará incentiva escrita de fábulas sobre Amazônia e é finalista em prêmio nacional

O pedagogo Marinaldo Souza explica que os alunos da escola Japariquara enfrentam dificuldades com a escrita e até para chegar até a sala de aula. Mas, segundo ele, “hoje em dia já são verdadeiros produtores de texto”.

O professor Marinaldo Sarmento Souza da escola Japariquara, localizada em uma região ribeirinha em Barcarena, nordeste do Pará, é o único finalista do Norte no Prêmio Educador Nota 10. O projeto entre os dez finalistas é uma sequência didática com foco em produção textual que incentivou os alunos a escreverem fábulas, que são textos onde animais falam e agem como humanos. Muitas das histórias tinham como protagonistas animais da região amazônica.

“Quando o aluno é colocado para refletir sobre a própria realidade, é possível conseguir resultados como este. As personagens eram justamente o que está presente no cotidiano deles, contou.

Marinaldo tem formação em Pedagogia e trabalha há 14 anos na escola onde funciona o sistema de multiséries, que reúne crianças e adolescentes do jardim ao 5º ano. O professor, neste caso, acompanha o aluno por vários anos da formação na escola.

A realidade, segundo ele, é muito comum no Pará pela questão geográfica e pela falta de escolas, principalmente nas áreas ribeirinhas onde os alunos precisam percorrer longas distâncias de barco para chegar até a sala de aula.

Metologodia de professor paraense concorre a Prêmio Educador Nota 10. (Foto: Marinaldo Souza / Arquivo Pessoal)
Metologodia de professor paraense concorre a Prêmio Educador Nota 10. (Foto: Marinaldo Souza / Arquivo Pessoal)

Durante as aulas de redação, o professor identificou dificuldades na classe quando era aboradado algum assunto da atualidade. “Eles achavam complicado expressar aquilo que pensavam e isso aparecia na forma como escreviam. Então começamos a incentivar cada vez mais a criatividade, trazendo os quadrinhos, as fábulas, até que hoje já posso dizer: eles já são verdadeiros produtores de textos”, comentou.

As fábulas foram reunidas em livros e, de acordo com o professor, agora os alunos já estão se dedicando a estudar outros gêneros textuais para compreender toda a diversidade da escrita na língua portuguesa.

A notícia da participação no prêmio nacional movimentou a cidade. O resultado deve sair somente em outubro.

O educador disse que recebeu diversas homenagens e comentou que ficou bastante emocionado. “Quando soube, chorei tudo o que eu tinha pra chorar. Fiquei muito emocionado, muito mesmo”, contou.

Fonte: G1

Deixe um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.