Tráfico humano cruza fronteiras oficiais dos países

A maioria das vítimas do tráfico internacional cruza áreas fronteiriças oficiais.

Segundo relatório da Organização Internacional de Migrações (OIM), os pontos aeroportuários, marítimos ou terrestres são os mais utilizados pelos traficantes.

A OIM, órgão das ações Unidas, lembra hoje o Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas.

De acordo com os dados da organização, nos últimos dez anos quase 80% das viagens realizadas por vítimas de tráfico internacional foram pelos pontos fronteiriços oficiais.

Embora o tráfico seja considerado uma atividade clandestina vinculada à migração irregular, nem sempre é desconhecida da população e das autoridades em geral, revelam os dados da OIM.

“Isto ressalta o papel crucial que podem desempenhar as agências fronteiriças e os provedores de serviços nos pontos fronteiriços para identificar as vítimas potenciais e dá-las em proteção e assistência”, destaca o documento.

As mulheres são o maior alvo do tráfico representando 84% dos casos, frente aos 73% dos homens, segundo a OIM.

Os adultos também têm mais probabilidades de ser vítimas do tráfico ao atravessar pontos fronteiriços oficiais do que os menores (80% dos casos frente aos 56% de menores).

Em dois de cada três casos de tráfico humano, a vítima é alvo de exploração em algum momento durante a viagem, segundo a OIM.

No entanto, uma de cada três pessoas provavelmente ignora que está sendo vítima de tráfico e acredita ter novas oportunidades no exterior, como lhes é prometido.

Os números da OIM se baseiam na análise de casos nos últimos 10 anos, que incluem cerca de 10,5 mil viagens realizadas por quase 8 mil vítimas.

Para esta organização, os dados “demonstram que os governos devem aplicar procedimentos mais rigorosos nas fronteiras que sejam sensíveis às vulnerabilidades e necessidades de proteção dos imigrantes”.

Também são necessários, segundo a OIM, “as autoridades criar garantias para que as vítimas de violência, exploração e abuso sejam identificadas e encaminhadas para os serviços adequados”.

É igualmente importante capacitar o pessoal da fiscalização nos postos fronteiriços dos países, como o pessoal do aeroporto, das linhas aéreas e ferroviárias, defende a OIM.

Os países devem também desenvolver procedimentos de comunicação e informação com as autoridades locais, destaca a Organização.

Aproveitar a tecnologia nos pontos fronteiriços, sugere a OIM, também poderia contribuir para melhorar a coleta de dados, o que por sua vez pode ajudar a melhorar a análise de riscos e conseguir a identificação mais fácil e em tempo real.

Fonte: EFE

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