Candidato ao Senado no PA responde por crimes ambientais e já foi acusado de invadir assentamento

Exportador de madeira, Sidney Rosa (PSB) divide protagonismo agrário no estado com famílias envolvidas em denúncias, como os Barbalho e Bengston

O deputado estadual Sidney Rosa (PSB), candidato ao Senado, tem como principal atividade econômica a extração de madeira. É dono de mais de 10 mil hectares de terras, único proprietário de uma madeireira que leva seu nome, além da participação em outras três empresas exportadoras do produto. Seu patrimônio, segundo sua declaração ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é de R$ 7,6 milhões.

Em janeiro de 2018, Rosa foi acusado de crimes contra a flora a partir de um inquérito policial. No entanto, as denúncias contra ele remontam a 2003, quando 41 trabalhadores foram libertados de trabalho análogo à escravidão da Fazenda Vitória, então propriedade do político em Carutapera, município maranhense na divisa com o Pará. O deputado nega as acusações.

Seis anos depois, em 2009, Rosa voltou a ser acusado. Desta vez sua empresa teria invadido e tirado madeira de assentamento rural em Santa Bárbara do Pará, próximo de Belém. Na época, Rosa disse que tinha autorização. Em 2015, a empresa Uniex, empresa que tem participação de Rosa, foi autuada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Rosa iniciou sua carreira política como prefeito de Paragominas, entre 1996 e 2004. O município sofria com o desmatamento constante, no tradicional ciclo de retirada da vegetação e inclusão de bois e soja. Em 2005, segundo o Instituto do Homem e do Meio Ambiente na Amazônia (Imazon), o município já havia perdido 42% de sua área florestal. A seu favor, Rosa é apontado como um dos protagonistas de iniciativas que tiraram o município da lista dos maiores devastadores do País.

Mesmo assim, sua gestão é questionada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em relação à criação de aterros sanitários no município.

Hoje no PSB, Rosa é um velho aliado do PSDB paraense, tendo sido Secretário Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção no governo do tucano Simão Jatene. No cargo, foi alvo de protestos de ambientalistas pela intenção de cultivar arroz na Ilha do Marajó.

Para esta eleição, foi cotado para o governo estadual, mas acabou sendo preterido em favor do presidente da Assembleia Legislativa, Marcio Miranda (DEM), que concorre com Helder Barbalho (MDB), filho de Jader Barbalho, ruralista e cacique político com uma extensa lista de denúncias.

PAI E FILHO FAZEM DOBRADINHA EM DENÚNCIAS

Candidato à reeleição, o senador Jader Barbalho (MDB) tem um longo histórico de denúncias envolvendo suas empresas, que remontam a época em que foi preso, após decidir a renunciar ao cargo em 2001 e evitar a comissão de ética da casa.

Os negócios e a atuação política da família, no entanto, continuaram. Jader voltou ao senado dez anos depois. Hoje seu filho, candidato a governador, faz dobradinha com o pai em denúncias. Ambos são acusados de receber propinas da JBS, num total de quase R$ 7 milhões, menos de 10% para o filho.

Um jovem na política, com 39 anos, Helder também teria recebido R$ 1,5 milhão da Odebrecht, segundo delação. A propina, no entanto, quase deixou de ser paga, porque o filho de Jader teria exagerado na proposta, pedindo vinte vezes mais do recebeu, ou seja, R$ 30 milhões.

Aos 73 anos, Jader voltou a ser investigado por suposto recebimento de propinas na construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. O senador, que respondeu com firmeza a denúncia, tem conseguido vitórias por causa da morosidade da Justiça. Em 2015, ele foi absolvido de uma das acusações envolvendo a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Ele teria recebido cerca de 20% do valor dos contratos de financiamentos da superintendência.

Jader foi sócio de um dos maiores fraudadores da Sudam, José Osmar Borges, acusado de desviar R$ 133 milhões do órgão. Borges também foi sócio da segunda mulher do senador, Márcia Zahluth Centeno, em um ranário que chegou a receber R$ 9,6 milhões, mas pouco vendeu rãs.

A ex-mulher do senador e mãe do candidato ao governo, Elcione Barbalho (MDB), tenta o seu décimo mandato como deputada federal. Elcione tem participação em algumas das empresas da família e serve como apoiadora das ações da dupla tanto a nível federal como estadual.

FAMÍLIA ENVOLVIDA EM MORTE DE SEM-TERRA

Como em outros estados da Federação, os ruralistas paraenses apostam na família para manter o poder e os negócios. É o caso do pastor e pecuarista Josué Bengston (PTB), condenado a perda do mandato por atuar na máfia das ambulâncias, um grande esquema de corrupção que desviou R$110 milhões destinado à saúde pública e que envolveu empresário, ex-funcionários de instituições e políticos de dez partidos diferentes. O deputado desistiu de competir e colocou o seu filho Paulo Bengston (PTB), vereador em Belém, como candidato.

A família Bengston tem mais de 4 mil hectares de terras. ­­O patriarca Josué declara ainda três caminhões, dois tratores, uma roçadeira, uma avião e R$ 1 milhão em dinheiro vivo, segundo declaração de 2014 para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As propriedades dos Bengston estão em Santa Luzia do Pará, município do norte do estado com 91% do território desmatado, segundo dados de 2013.

Esse histórico parece não preocupar o parlamentar: ele atuou para isentar as multas por desmatamento em propriedades rurais.

Assim como o pai, Paulo é pastor da Igreja Quadrangular. Josué tem quatro filhos, mas pelo menos um deles deve ficar foro dos holofotes. Trata-se de Marcos Bengston, que já foi preso, em 2010, acusado de mandar torturar e matar o camponês José Valmeristo Soares, o Caribé, que ocupava parte da Fazenda Cambará. Três anos antes, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) denunciara ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que os Bengston havia grilado parte da Gleba Pau de Remo.

SENADOR DEFENDE CANA NA AMAZÔNIA

Na leva de candidatos ruralistas do Pará, o único oficialmente integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) é o senador e candidato à reeleição Fernando de Souza Flexa Ribeiro (PSDB), dono de 2,7 mil hectares em Chaves, na Ilha do Marajó.

Flexa foi autor de um projeto de lei que liberava a plantação de cana de açúcar na Amazônia. O PL está parado por pressão tanto de ambientalistas quanto de usineiros de outras partes do País.

Ele defende os interesses da frente, como o projeto de lei que quer passar para o Congresso Nacional o direito à homologação de terras indígenas. E foi defensor ferrenho dos proprietários da Fazenda Pagrisa, em Ulianópolis, onde foram encontrados cerca de mil trabalhadores rurais em condições análogas à escravidão.

A defesa de empresas está entre as preocupações de Flexa, que reclamou da atuação do Ibama em frigoríficos acusados de desmatamento. Ao mesmo tempo, o senador já foi acusado de usar verba parlamentar para pagar o aluguel de sua antiga construtora, a Engeplan.

Por: Luís Indriunas
Fonte: De Olho nos Ruralistas

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