Sem revitalização, museu de Cruzeiro do Sul está há mais de três anos de portas fechadas

Documentos históricos acumulam poeira e peças da cultura de Cruzeiro do Sul estão jogadas ao chão. Prédio foi inaugurado em 2006.

Sem revitalização, museu de Cruzeiro do Sul está há mais de três anos de portas fechadas (Foto: Mazinho Rogério/G1)
Sem revitalização, museu de Cruzeiro do Sul está há mais de três anos de portas fechadas (Foto: Mazinho Rogério/G1)

Há mais de três anos, o Museu de Cruzeiro do Sul, segunda maior cidade do Acre, está fechado para visitação. Desde que foi inaugurado, em 2006, o prédio ainda não passou por uma reforma e, enquanto isso, todo acervo que retrata a história e a cultura do município está esquecido em um espaço tomado pela poeira e com uma estrutura em ruínas.

A presidente da Fundação Elias Mansour, Karla Martins, informou nesta quinta-feira (6) que já existe um processo de licitação em andamento para a reforma do espaço cultural. Ao todo, devem ser investidos R$ 529 mil na reestruturação.

“O que tem acontecido é que cada processo é diferente. O que acontece é que as empresas não estavam concorrendo muito, mas quando perceberam que todas as obras estão sendo feitas e pagas corretamente começaram casos de até três empresas brigando por uma licitação. Algumas entram com recurso para concorrer e acaba demorando. Mas, já existe o processo da obra”, afirma.

Os desgastes na estrutura física do museu são visíveis logo na fachada. A pintura na parte de fora já não tem mais cor e a placa com o nome do museu caiu e foi deixada entre o mato que toma conta do pátio.

Mas, é no interior do prédio que se percebe o real abandono. No hall, o piso de madeira se estragou com o tempo e é preciso muito cuidado para não tropeçar nos buracos das tábuas que faltam.

No salão de visitas, o piso também se está estragado. Além disso, existem problemas na instalação elétrica, e infiltrações. Fora os defeitos na estrutura física, o Museu de Cruzeiro do Sul também não tem mais móveis apropriados para guardar o acervo que, em maior parte, ficou jogado de qualquer jeito.

As peças de madeira e artesanatos, produzidos pelos povos indígenas do Juruá, estão distribuídos entre o chão do pátio e no meio do salão de visitas. Também não existe mais lugar adequado para expor os materiais que lembram a atividade dos seringueiros.

No Museu de Cruzeiro do Sul, além das peças que contam a história dos índios e dos seringueiros, funcionava também o memorial do primeiro governador do Acre, José Augusto de Araújo. A cadeira e a caneta utilizadas pelo ex-governador na ato de sua posse já não estão mais em exposição.

No mesmo espaço também está o Teatro José de Alencar que não recebe público desde que o museu foi fechado.

Piso de madeira do museu está cheio de buracos em Cruzeiro do Sul (Foto: Mazinho Rogério/G1)
Piso de madeira do museu está cheio de buracos em Cruzeiro do Sul (Foto: Mazinho Rogério/G1)

O historiador Franciney Almeida lembra que foi lá que ele fez o lançamento de seu primeiro livro. E avalia como um grande prejuízo para a história do município o estado em que se encontra o museu.

“É muito preocupante. A princípio a gente já tem um histórico de perdas. Quando um empresário foi fazer um prédio ao lado, foi feita uma escavação e caiu uma parede durante uma chuva e perdeu parte da documentação da fundação da cidade. Esse é o destino desses espaços. Infelizmente, no Brasil é assim. A gente quer ser grande, mas não valoriza a nossa história como é que a gente vai ter futuro?”, questiona.

Abandono ocorre há mais de três anos em Cruzeiro do Sul (Foto: Mazinho Rogério/G1)
Abandono ocorre há mais de três anos em Cruzeiro do Sul (Foto: Mazinho Rogério/G1)

Fonte: G1

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