Unidos pelo clima

A campanha “Una-se pelo Clima” levou milhares de pessoas às ruas em todo o mundo para exigir o fim do uso de combustíveis fósseis

O último sábado (8) foi um dia histórico para a construção de um futuro mais verde. Milhares de pessoas em mais de 90 países se uniram pelo clima para dizer “Chega!” à emissão desenfreada de gases poluentes na atmosfera e adeus à era dos combustíveis fósseis. Convocadas pela organização 350.org junto a centenas de coletivos parceiros e grupos de atuação local, as marchas levantaram o grito da campanha “Una-se pelo Clima” em mais de 900 ações espalhadas por todos os continentes.

A exigência das milhares de pessoas que saíram às ruas é por uma transição justa e imediata dos combustíveis fósseis para 100% das energias geradas por fontes limpas e renováveis.

A consciência global que mobilizou as manifestações é de que só assim será possível garantir um futuro para as novas gerações e evitar o aquecimento do planeta. Já são cada vez mais frequentes os desastres climáticos decorrentes da poluição atmosférica e as populações vulneráveis são sempre as mais atingidas.

Desde a construção de barragens que podem alagar comunidades inteiras e afetar os meios de subsistência locais até a proteção de defensores ambientais ameaçados em áreas rurais, as pautas foram variadas em cada região e deram visibilidade para as demandas locais. Na Colômbia, a polícia tentou impedir a manifestação contra a construção de uma hidrelétrica na região de Ituango.

A marcha em Ituango, na Colômbia, protestou contra a construção de uma hidrelétrica na região. © Mauricio Mejia / Survival Media Agency

A data escolhida para as marchas também envia um recado direto aos governantes que devem agir pelo planeta. Neste dia 12 de setembro, tem início a Cúpula Global de Ação Climática que reúne políticos, empresários e lideranças globais na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos. Na cidade-sede do encontro, uma enorme manifestação tomou conta das ruas e exigiu compromissos reais dos governantes pelo fim do uso de combustíveis fósseis.

No Brasil, as ações aconteceram em Florianópolis, Rio de Janeiro e em cidades do interior de São Paulo. Muitos atos contaram com atividades de conscientização sobre as mudanças climáticas e envolveram trabalhos artísticos que atentaram para a situação do planeta, como no caso do artista paulistano Mundano.

Ação de conscientização em Belém, Pará. Manifestações aconteceram em diversas regiões do Brasil.

A diretora-executiva do Greenpeace, Bunny McDiarmid, escreveu um artigo (em inglês) na véspera das manifestações “Una-se pelo Clima”. No texto, ela cita tragédias recentes decorrentes das mudanças climáticas e aponta para a necessidade de não silenciar frente ao aquecimento global: “Comunidades ao redor do mundo estão exigindo mudanças. Elas estão dizendo ‘Não!’ ao sofrimento, às condições climáticas extremas, à poluição dos combustíveis fósseis e a piora na qualidade do ar. Elas pedem que os líderes políticos ajam, enquanto também buscam a responsabilização e justiça climática.”

Ela também fala sobre a necessidade de pressionar os governantes reunidos para a adoção de medidas concretas e imediatas em direção ao uso de fontes renováveis. “Nos últimos 30 anos, os políticos debateram e discordaram sobre a mudança climática enquanto a indústria de combustíveis fósseis enriquecia e a realidade do aquecimento global se aproximava inexoravelmente. Não estamos mais no limite da mudança climática, estamos vivendo nela. Esta é a hora da verdade.”, escreveu Bunny.

O povo Tapirapé também se uniu pelo clima na comunidade de Uburu Branco, Mato Grosso.
Fonte: Greenpeace
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