Ciro Gomes defende o uso de hidrelétricas na matriz energética

O candidato Ciro Gomes durante evento Diálogos Eleitor. Foto: José Cruz/Agência Brasil.

O programa ambiental de governo do candidato do PSL, Ciro Gomes, é vasto e pretende alinhar desenvolvimento econômico, reindustrialização, retomada de grandes obras e respeito ao meio ambiente. A proposta é aparentemente ambiciosa, mas pouco detalhista.

O documento protocolado no Tribunal Superior Eleitoral possui 62 páginas. Há um capítulo sobre meio ambiente, que apresenta 15 propostas.

A primeira proposta do programa diz respeito à expansão e tentativa de universalização das redes de abastecimento e tratamento de água e esgoto, embora não detalhe como fazer isso (pág. 22). Se o programa de governo só mostra a intenção, na sabatina realizada na Confederação Nacional dos Municípios, em maio, o candidato explicou como se daria essa expansão do saneamento nos municípios, que são os responsáveis pelo saneamento básico. Ciro propôs o uso do fundo de participação dos municípios como garantia de empréstimo para que os municípios consigam crédito para investir no área. A proposta foi bem recebida pela plateia de prefeitos.

A candidatura de Ciro Gomes (PDT), que divide a chapa com a ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu (PDT), é a que mais representa o chamado desenvolvimentismo, quando a política econômica é baseada no crescimento da produção industrial e de obras de infraestrutura. Transformar o país em um canteiro de obras impulsiona a economia. O problema é que esse modelo de desenvolvimento costuma deixar grandes impactos ambientais pelo caminho.

Uma dessas grandes obras, a transposição do rio São Francisco, foi liderada pelo próprio candidato Ciro Gomes, que foi ministro da Integração Nacional no governo Lula. Ciro não apenas defende a transposição, como se apresenta como pai da obra. E minimiza os impactos ambientais que o desvio do rio tenha causado na saúde do próprio rio.

Em um vídeo que viralizou nas redes sociais, o candidato explica sobre a dificuldade de lidar com as demandas da então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, sua colega de governo. Em tom de brincadeira, ele conta sobre um reunião entre Lula, Marina e ele. Na ocasião, a ministra reclamou que não havia estudos sobre ictiofauna (peixes). O projeto já tinha três anos e ainda estava no papel. Na fala, Ciro solta que jamais havia ouvido falar na palavra ictiofauna e conta que a preocupação da ministra era saber se os peixes da bacia doadora com a bacia receptora eram da mesma espécie e se não haveria problema em juntar essas populações.

Nessa parte, Ciro ri e lembra que perdeu a paciência. Disse para Marina que ela estava preocupada com uma “suruba de peixes” enquanto a população seguia sem água no Nordeste. O estudo foi feito e, aparentemente, a preocupação era infundada, os peixes eram da mesma espécie. Mas como saber sem estudos?

A premissa que obras de infraestruturas são o motor do desenvolvimento econômico e, logo, precisam ser feitas, não importa seus impactos ambientais, é um dos problemas do desenvolvimentismo, que Ciro terá que dificuldades de convencer que pensa diferente.

Defensor de grandes obras, inclusive a construção de hidrelétricas, o candidato do PDT já afirmou que a usina de Belo Monte “não foi uma catástrofe ambiental”, e que hidrelétricas significa energia mais barata e limpa.

Mas diz, no seu programa de governo, que “realização de grandes obras deve ser acompanhada de um planejamento de arranjos produtivos locais em seu entorno”.

Unidades de Conservação

Voltando ao programa de governo do candidato do PDT, há três propostas para as Unidades de Conservação (UCs). A primeira sobre acabar com o passivo fundiário dentro de Ucs já criadas, com as “devidas indenizações e/ou reassentamentos” e a segunda propõe a elaboração “de um plano de formação de arranjos produtivos locais no entorno dessas unidades, voltados para a prestação de serviços às mesmas, bem como o desenvolvimento do turismo sustentável” e a última sobre “concessões à iniciativa privada de áreas e equipamentos de uso público para exploração econômica de serviços permitidos em Unidades de Conservação”. Essas concessões já estão sendo feitas na atual gestão do ICMBio, autarquia que administra as Ucs federais.

O documento também versa sobre a regularização fundiária de “territórios de comunidades tradicionais, quilombos, quilombolas e terras indígenas” (pág. 25).

Acordo de Paris

A implementação das metas climáticas definidas pelo Acordo de Paris é um dos compromissos assumidos no Programa de Governo, assim como o estímulo “à adoção, através de políticas públicas, de energias renováveis como os biocombustíveis, a biomassa, a hidráulica, solar e a eólica” e um desenho de “estratégia para redução do desmatamento”. A redução do desmatamento é uma das metas do governo brasileiro para a redução de emissão de gases de efeito estufa.

Saiba Mais

Plano de governo – Ciro Gomes.

Até sexta-feira (05), ((o))eco publicará textos sobre as propostas ambientais dos candidatos à presidência da República. Neste artigo, analisamos o programa protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e as declarações públicas sobre o tema de Ciro Gomes, candidato do PDT.

Por: Daniele Bragança
Fonte: ((o))eco
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