Ribeirinhos enfrentam dificuldades na principal hidrovia da Amazônia

“Você vai ver muita coisa interessante no decorrer do trajeto. Ribeirinho, criança se arriscando para ganhar presente. Alguns atracam para fazer comércio, outros para pedir mesmo. Vem a maioria das garotas para se prostituir… é o meio de renda que elas têm para dar uma vida melhor para os pais ou para os irmãos”, conta Abraão Pantoja, comandante de uma embarcação.

O Profissão Repórter desta quarta (17) mostra como funciona o transporte de pessoas e cargas pela hidrovia do Solimões-Amazonas, e os problemas da população ribeirinha.

O relato de Abraão Pantoja é feito para a repórter Daniele Zampollo. Ela e o repórter Erik Von Poser navegam por essa hidrovia. A reportagem mostra o trecho mais estreito da passagem, que liga Manaus a Belém.

Não demora muito para os ribeirinhos se aproximarem do barco onde está a equipe de reportagem. Eles laçam a canoa, conhecidas como “rabetas”, ao barco de passageiros. A maioria das embarcações que chegam são de crianças ou adultos vendendo açaí e camarão. Os passageiros também costumam dar roupa, sapato e até comida para esses ribeirinhos.

Em um momento, chega uma rabeta com apenas meninas, sem nada para vender. Ao avistarem a a repórter Daniele, elas vão embora com a canoa.

“Se vocês não tivessem aqui, muita gente ia tá se aproveitando. Um ia dar R$ 10, outro ia dar R$ 20 e iam fazer o que acontece sempre. É por isso que elas ficaram bravas no momento que viram vocês filmando. Isso acontece muito”, conta Edinaldo Monteiro, pedreiro.

Viagem pela hidrovia do Solimões-Amazonas

Por R$ 30, carregadores levam as bagagens para dentro do barco que vai levar 200 passageiros de Tabatinga, na fronteira da Colômbia, para Manaus. A viagem é feita pela hidrovia Solimões-Amazonas. São 1.627 km percorridos em quatro dias, com nove paradas. A embarcação em que está a repórter Mayara Teixeira transportou 5.500 passageiros pelo mesmo trecho no ano passado.

Nela, Mayara encontra Francielison, que fugiu de casa e, depois de seis meses usando drogas, é resgatado pelo irmão, um policial. No porto da cidade de Tonantins, os irmãos se separam. Francielison segue até Manaus para encontrar com a família.

Piratas à vista

É quase meia-noite em um porto de Manaus, o repórter Caco Barcellos mostra 27 carretas que saem com produtos da Zona Franca de Manaus para serem distribuídos no resto do país. Caco vai em uma embarcação até Belém, com seis tripulantes. Durante a noite, eles ligam um holofote de busca para evitar assalto por piratas.

“A gente deduz de uns cinco anos para trás que nós passamos a ter essa incidência de problema, tanto na navegação nossa como nas demais empresas. A gente deduz que isso seja motivado pela crise econômica e isso acabou migrando para o pessoal dos rios”, diz Renato Bonatelli, gerente de navegação.

De Manaus até Santarém, a única parada da embarcação até Belem, demora dois dias. Os tripulantes das balsas de transportes de carga cumprem jornadas de trabalho de quatro horas com oito horas de descanso. São 70 horas dentro da balsa para chegar a Belém. Até Santarém são 40. E é a partir desta cidade que a viagem fica mais perigosa e a tripulação ganha um reforço na segurança.

Relatos de ataques de piratas são comuns. Em Belém, Caco procura o Grupamento Fluvial, que faz o policiamento da hidrovia. “Já teve uma situação dessas aqui em que conseguiu ser provado que houve má-fé de pelo menos uma pessoa em encalhar a embarcação. Os policiais conseguiram chegar a tempo e fizeram a detenção de 12 pessoas”, conta o delegado Dilermando Dantas Jr. Os equipamento roubados costumam ser escondidos nas matas. Confira a reportagem completa.

Fonte: Profissão Repórter/Rede Globo
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