Desmatamento na Amazônia é o maior dos últimos dez anos

Área desmatada para plantio de soja na Amazônia. Foto: Greenpeace/Daniel Beltra

Atingindo o pior patamar dos últimas dez anos, o desmatamento da Amazônia, entre agosto de 2017 e julho de 2018, foi de 7.9 mil quilômetros quadrados. Um aumento de 13,7% em comparação ao mesmo período dos anos anteriores, o equivalente a 987.500 campos de futebol ou cinco vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

Os dados preliminares são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) realizado pelo Instituto de Pesquisa Espacial da Amazônia e foi divulgado nesta sexta-feira (23) pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Segundo o órgão ambiental as ações de fiscalização e controle foram intensificas nos anos de 2017 e 2018. O Ibama aumentou o número de autuações em 6%, de áreas embargadas em 56%, de madeira apreendida em 131% e de equipamentos apreendidos 183%, em operações voltadas a ilícitos contra a floresta. O número de autuações e áreas embargadas dentro de unidades de conservações federais também foram maiores. Os dados foram divulgado em nota pelo MMA.

Para a rede Observatório do Clima os esforços de combate aos crimes ambientais são minados por diversos fatores, entre eles o político. Em nota a organização afirmou que é “fruto de uma série de circunstâncias climáticas e cambiais – o dólar alto eleva os preços dos produtos agrícolas e estimula a devastação. Mas é inegável o peso do fator político no resultado colhido pelo governo Temer em sua despedida”.

Marcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil corrobora a afirmação. “Os números da destruição, que já eram altos e inaceitáveis, ficaram ainda piores. Grande parte das respostas para esse aumento estão em Brasília. É do centro do poder que parte o estímulo constante ao crime ambiental nos rincões da Amazônia”, afirma.

Ambas as organizações afirmam que os acenos feitos pelo Governo à bancada ruralista estão impactando e pressionando a floresta. “Lei da Grilagem, flexibilização do licenciamento ambiental no Brasil, ataque aos direitos indígenas e quilombolas, adiamentos do Cadastro Ambiental Rural (CAR), tentativas de redução de áreas protegidas e paralisação das demarcações de Terras Indígenas, entre outras” são algumas das iniciativas prejudiciais citadas pela organização ambiental.

O Observatório do Clima lembra ainda que “neste ano, de eleição, alguns Estados passaram a cooperar menos com o Ibama na fiscalização, inclusive perdoando garimpeiros após um ataque a uma base do Ibama no Amazonas. A expectativa de anistia é o quanto basta para que as quadrilhas que atuam na extração de madeira e na grilagem de terras acelerarem a predação sobre a floresta, e foi isso o que se verificou”.

O desafio de conter o avanço da degradação ficará para o próximo governo, porém o presidente eleito Jair Bolsonaro já deu diversas declarações que preocupa ambientalistas. “A depender do governo Jair Bolsonaro, as previsões para a Amazônia (e para o clima) não são boas. Tudo o que funcionou no combate à destruição florestal está sob ameaça. Ele pretende liberar a exploração de Terras Indígenas e Unidades de Conservação e enfraquecer o poder de fiscalização do Ibama. Se concretizadas, essas propostas levarão a uma explosão da violência no campo e colocarão em risco a esperança climática do planeta”, declara Astrini.

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Os dados consolidados serão apresentados no primeiro semestre de 2019.

Fonte: Amazônia.org

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