Futura ministra é alertada sobre Carne Fraca

Plano de contingência é necessário para eventuais reflexos da operação

Tereza Cristina. Foto: Bruno Poletti /FolhaPress

Indicada para comandar o Ministério da Agricultura no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro, a deputada Tereza Cristina (DEM-MS) mal começou a rotina de transição e já foi avisada pela equipe do atual ministro, Blairo Maggi, que precisará de um plano de contingência para conter eventuais reflexos de novas operações da Polícia Federal no rastro da Operação Carne Fraca, que revelou um esquema de corrupção entre frigoríficos e fiscais agropecuários federais no ano passado.

Em encontro com a sua sucessora, Maggi deve expor a situação em que deixará o ministério. Anteriormente, o secretário-executivo da pasta, Eumar Novacki, já recomendou que Tereza adote uma postura de prevenção e esteja preparada para realocar fiscais para regiões onde houver frigoríficos que estejam no alvo de investigação policial, acionar o Itamaraty com antecedência e tomar medidas administrativas como afastar e exonerar servidores suspeitos.

“Vamos deixar uma bússola para a futura ministra e ela vai decidir o que manter ou fazer”, disse Novacki ao Valor Econômico. O Ministério da Agricultura ainda trabalha com a possibilidade real de outros desdobramentos da operação Carne Fraca, epicentro das barreiras em vigor contra carnes brasileiras.

Na leitura de Maggi, a qualquer momento a PF pode deflagrar novas investigações e, além disso, o Ministério Público Federal pode divulgar a polêmica lista de cerca de 200 fiscais agropecuários que recebiam “mensalinhos” da JBS para trabalharem fora do expediente – a prática é proibida por lei. A revelação da lista consta de delação premiada do ex-presidente da JBS, Wesley Batista.

Além do encontro com Maggi, Tereza tem diversas reuniões marcadas para esta semana no Ministério da Agricultura. Todos os secretários da Pasta vão lhe apresentar um balanço e detalhar problemas e pendências de suas áreas.

Outras missões da nova ministra

Tirar do papel a regulamentação das horas-extras dos fiscais e a criação de um fundo abastecido com taxas cobradas de frigoríficos para contratação de médicos-veterinários do setor privado (sem concurso público) estão no rol de soluções que Tereza terá para avaliar.

Blairo Maggi não conseguiu entregar a tempo a prometida reestruturação da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) nem a modernização completa do sistema de inspeção agropecuária. Como informou o Valor, o ministro chegou a apresentar uma minuta de Medida Provisória para a Casa Civil, que esbarrou em resistências dos ministérios da Fazenda e do Planejamento, que alegaram que a lei geraria despesas adicionais em ano de eleição e iria onerar o caixa do governo.

Em seus primeiros dias como ministra, Tereza também ainda deverá encontrar fechado o mercado americano para a carne bovina brasileira in natura brasileira e terá que lidar com o embargo da União Europeia a 20 frigoríficos de carne de frango do país — 12 dos quais da BRF, maior exportadora mundial do produto.

No entanto, se depender do setor, ela já tem um voto de confiança. Desde sua nomeação, diversas entidades se posicionaram favoravelmente à sua liderança na pasta. Confira a seguir, na íntegra, o posicionamento de outras associações.

Nota da ABCS

Para a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), o nome da deputada no novo governo de Jair Bolsonaro fortalecerá o agronegócio. “Tenho certeza de que ela fará um excelente trabalho”, afirmou o presidente da ABCS, Marcelo Lopes. “Ela é comprometida com as causas do setor e foi extremamente atuante como presidente da FPA. A futura ministra tem o apoio do ABCS e poderá contar com o setor suinícola para a ascensão da agropecuária brasileira”, destacou. Já na Pasta, a futura ministra poderá dar continuidade aos trabalhos iniciados pela FPA, principalmente em relação às reformas no âmbito da defesa sanitária, política agrícola e comércio internacional. “Com apoio do setor, não temos dúvida que o próximo governo será competente e representativo para agronegócio, situação positiva para o crescimento e desenvolvimento do Brasil”, salientou Lopes.

Nota da Faesc

A escolha da deputada federal Tereza Cristina para ocupar o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) marcará uma nova e promissora era na gestão das políticas públicas de apoio ao setor primário da economia brasileira, de acordo com a avaliação do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC), José Zeferino Pedrozo, que também é vice-presidente da finanças da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O dirigente elogiou a decisão do presidente eleito Jair Bolsonaro, apoiada por todas as entidades nacionais da agricultura e do agronegócio. A futura ministra é de Mato Grosso do Sul, onde ocupou o cargo de gerente-executiva em quatro secretarias: Planejamento, Agricultura, Indústria, Comércio e Turismo. Também exerceu os cargos de diretora-presidente da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e diretora-presidente da Empresa de Gestão de Recursos Minerais. Pedrozo realçou que a deputada – em face de sua atuação no comando da Frente Parlamentar da Agricultura – tornou-se a mais competente interlocutora da área, associando conhecimento técnico com atuação política o que rendeu grandes e justos dividendos para o setor. “Teremos no MAPA uma liderança que conhece o campo, o produtor e o empresário rural, o mercado e o mundo globalizado”, sinalizou. O presidente da FAESC destacou que a agropecuária nacional presta um serviço essencial ao País e tornou-se responsável pelos superávits comerciais. Observou que a atuação dos produtores e o fantástico desempenho apresentado pela pecuária devem motivar a futura ministra a fortalecer políticas orientadas para elevar o potencial de produção e geração de renda e incrementar as divisas com exportações de produtos agrícolas e pecuários.

Nota da ACNB

A Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) recebe com entusiasmo o anúncio feito pelo novo Presidente eleito, Jair Bolsonaro, que oficializa a Deputada Tereza Cristina Correa da Costa Dias (DEM-MS) como a nova Ministra da Agricultura. A entidade acompanha com muito interesse o trabalho da futura Ministra à frente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), além de reconhecer o seu grande conhecimento sobre o agronegócio brasileiro, seus desafios e potencialidades. Também nos enche de satisfação ter uma pecuarista no Ministério. Nesse sentido, temos plena confiança de que Tereza Cristina construirá uma agenda positiva para o agro e a pecuária brasileira. A ACNB coloca-se à disposição da nova titular da Agricultura para que, juntos, possamos caminhar para uma atividade cada vez mais forte, segura e eficiente, que valorize o homem do campo e nos dê orgulho de produzir alimentos com qualidade e sustentabilidade, preservando o meio ambiente e atendendo à crescente demanda global.

Nota do Sindan

O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (SINDAN) apoia a escolha da Deputada Federal Tereza Cristina Correa da Costa Dias (DEM-MS) como Ministra da Agricultura no governo do presidente Jair Bolsonaro. Tereza Cristina conhece o agronegócio e, particularmente, a produção animal. Ela está preparada para assumir o cargo. Com sua experiência como produtora rural – inclusive como pecuarista – em Mato Grosso do Sul, ela conhece os principais temas, necessidades e pleitos do setor produtivo. Contribuem para isso o fato de ela já ter sido secretária de Agricultura de MS, além de ser a atual presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que reúne a bancada do setor rural no Congresso Federal. Os atuais problemas enfrentados pelo setor produtivo, particularmente os ligados à infraestrutura e à demora dos processos certamente serão combatidos pela ministra. O SINDAN está à disposição de Tereza Cristina para compartilhar iniciativas positivas, cumprindo o seu papel de órgão técnico e consultivo sobre questões sanitárias.

Nota da ABMRA

Assim como o agronegócio como um todo, a Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA), entidade que valoriza e fomenta o marketing e a comunicação da produção de alimentos , apoia a escolha da Deputada Federal Tereza Cristina (DEM-MS) como a nova Ministra da Agricultura no governo do presidente Jair Bolsonaro. Tereza Cristina é produtora Rural no Mato Grosso do Sul e conhece as demandas e necessidades do agro brasileiro. Ela já foi secretária de Agricultura de MS e é a atual presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que reúne a bancada do setor rural no Congresso Federal. O conhecimento e a atuação a credenciam a estar à frente da Pasta, que representa o setor econômico mais pujante do país nos últimos anos. Tereza Cristina terá uma visão ampla, para considerar as mudanças do agronegócio brasileiro ao longo dos anos. A mais recente Pesquisa de Hábitos de Mídia e Consumo do Produtor Rural, realizada pela ABMRA e a Informa/FNP, trouxe importantes apontamentos, como o crescimento da mulher à frente das propriedades, a interação cada vez maior com as mídias digitais e também o resgate da população jovem do ambiente rural, que está cada vez mais concentrando suas carreiras no campo ao invés de migrar para os centros urbanos. Desde já, a ABMRA quer contribuir com o trabalho do Ministério da Agricultura, no sentido de ter um olhar especial para a imagem do setor tanto internamente quanto no âmbito global, de forma a valorizar o trabalho realizado por milhões de produtos e empresas de dezenas de segmentos.

Fonte: Valor Econômico e A.I., adaptado pela equipe feed&food.
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