Biodiversidade da Amazônia e Cerrado sofre com delimitação de biomas

A biodiversidade da área de transição entre o Cerrado e Amazônia pode ser impactada devido aos métodos utilizados para definir o limite dos biomas. Estudo publicado na última edição da revista Biodiversity and Conservation detecta que usar uma simples linha para separar os biomas em mapas oficiais pode ocasionar em grande perda de vegetação.

A porção estudada tem mais de 600 mil quilômetros quadrados, sendo que a maior parte está em Mato Grosso. O limite original detectado pelo IBGE é três vezes menor do que o detectado por este estudo. A “linha divisória” adotada por órgãos oficiais fez o Cerradão, região de florestas, ter um grau de proteção inferior.

Eduardo Marques, um dos autores do estudo, explica que existe uma transição larga e rica que possui características dos dois biomas formando uma região com especificidades únicas. “A complexidade dos limites das savanas tropicais não é representada de forma verossímil nos mapas atuais, ameaçando seriamente a biodiversidade da área de transição. Como consequência, as perdas de vegetação atingiram níveis próximos ao colapso em áreas de intensa atividade humana.”

A transição Cerrado-Amazônia (TCA) no Brasil é a maior transição savana-floresta do mundo. Ao longo dos 30 anos analisados no estudo, a região estudada sofreu mais desmatamento do que a Amazônia e o Cerrado individualmente. Na porção mapeada existiam 127,434 km² de matas transição em 1984, já em 2014 caiu para 74,933 km². Ou seja, 41.2% de matas de transição foram transformadas em lavouras, pastagens ou outros tipos de uso humano. A savana perdeu 40.9% e a floresta densa perdeu 39.9% de área.

O avanço da fronteira agrícola em conjunto com as leis mais brandas para as áreas de Cerrado, o Código Florestal protege 35% do Cerrado e 80% da Amazônia, são os principais fatores responsáveis pela destruição da transição Amazônia-Cerrado.

O autor acredita que são necessárias mais pesquisas sobre transições entre biomas e novos projetos de mapeamentos para que políticas de uso da terra sejam criadas para essas áreas. Marques atualmente faz doutorado na Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) onde é orientado pelo pesquisador do IPAM Paulo Brando. Em seu doutorado, Marques está dando sequência aos estudos relacionados às áreas de transição analisando os impactos da degradação florestal na Fazenda Tanguro, situada entre a Amazônia e o Cerrado.

Fonte: IPAM

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