Em dia mundial, FAO defende inovação tecnológica para combater impacto das secas na agricultura

Em pronunciamento em Roma, na Itália, para o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, o chefe da FAO, José Graziano da Silva, ressaltou nesta segunda-feira (17) que os agricultores e o setor agrícola são os que mais sofrem com esses fenômenos, arcando em média com 80% das perdas e danos provocados por estiagens. Especialista pediu a aplicação de tecnologias inovadoras para evitar prejuízos e devastação dos sistemas alimentares.

Jovem coleta água no vilarejo de Douly, no Senegal, onde a FAO implementa o projeto '1 milhão de cisternas para o Sahel'. Foto: FAO/Eduardo Soteras
Jovem coleta água no vilarejo de Douly, no Senegal, onde a FAO implementa o projeto ‘1 milhão de cisternas para o Sahel’. Foto: FAO/Eduardo Soteras

Em pronunciamento em Roma, na Itália, para o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, o chefe da FAO, José Graziano da Silva, ressaltou nesta segunda-feira (17) que os agricultores e o setor agrícola são os que mais sofrem com esses fenômenos, arcando em média com 80% das perdas e danos provocados por estiagens. Especialista pediu a aplicação de tecnologias inovadoras para evitar prejuízos e a devastação dos sistemas alimentares.

Durante a abertura do segundo Seminário Internacional sobre Seca e Agricultura, realizado na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, Graziano alertou que uma das principais causas do aumento da fome nos últimos três anos foi o El Niño, responsável por estiagens severas na costa leste da África.

“Desbloquear o potencial das inovações agrícolas com soluções simples ou tecnologias baseadas em satélite ajudará a evitar que a seca gere ainda mais fome e deslocamentos forçados, revertendo a desertificação”, defendeu o chefe do organismo internacional.

“É completamente impossível evitar que uma seca aconteça, mas podemos evitar uma seca que se transforma em fome ou em deslocamento de pessoas.”

Em mensagem para o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que o mundo perde anualmente 24 bilhões de toneladas de solo fértil devido a esses problemas ambientais.

Soluções simples

Em Roma, Graziano defendeu que, para lidar com as secas e reverter a desertificação, além das tecnologias geoespaciais, os agricultores também podem se beneficiar de soluções muito simples. Um exemplo, elencou o dirigente, é o projeto da FAO de 1 milhão de cisternas no Sahel, para o armazenamento da água das chuvas. A iniciativa está sendo implementada na faixa territorial que atravessa diferentes países situados logo abaixo do Saara.

Também no Sahel, a agência da ONU e instituições parceiras estão ajudando a União Africana a criar a emblemática Grande Muralha Verde. O projeto visa cercar o Saara com um amplo cinturão de vegetação, árvores e arbustos, a fim de proteger a paisagem agrícola e evitar que o deserto avance.

“Essa medida está nos ajudando a frear a desertificação, que é uma das principais razões para o crescente conflito entre pastores e agricultores”, explicou Graziano.

Tecnologias contra a estiagem

Ainda de acordo com a FAO, o desenvolvimento de aplicativos e plataformas inovadores nos últimos anos pode levar informações para as mãos dos agricultores, ampliando sua capacidade de enfrentar fenômenos climáticos. A agência da ONU apoia os países na conscientização e na formação de proprietários rurais sobre o uso dessas ferramentas.

Nesta segunda-feira, a FAO lançou uma nova versão de um banco de dados de acesso aberto que utiliza informações de satélite em tempo real, com o objetivo de monitorar a produtividade da terra e da água na África e no Oriente Médio. O conteúdo disponível ajuda decisores políticos e agricultores a tomar atitudes para se prepararem melhor para a seca. Também permitem aumentar a produção agrícola com menos uso de água.

A atualização do portal oferece uma metodologia mais eficiente e abrange três países adicionais, com dados de resolução de cem metros: Iraque, Sudão e Níger. Com as modificações, o total de países que vão se beneficiar da iniciativa subiu de 18 para 21.

O projeto recebeu investimentos de 2,5 milhões de dólares do governo da Holanda. Os recursos devem financiar a expansão da iniciativa para outros territórios ao longo do biênio 2019-2020.

Parcerias

A FAO e o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) firmaram uma nova parceria para somar esforços e ajudar os países a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS), com foco especial na proteção dos recursos hídricos e do solo, bem como no combate à desertificação.

O organismo financeiro é um banco multilateral de desenvolvimento, criado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul para mobilizar recursos para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável.

Graziano da Silva afirmou que a nova parceria permitirá uma maior colaboração em áreas de interesse mútuo, como alimentação e agricultura, infraestrutura agrícola e rural, desenvolvimento rural sustentável e investimento e monitoramento das questões hídricas associadas aos ODS.

Fonte: FAO

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