Projeto que salva pirarucu dá prêmio a biólogo brasileiro

Manejo sustentável de pirarucu é possível graças à união do conhecimento científico e tradicional. Foto: Bernardo Oliveira/Instituto Mamirauá.

O projeto para salvar o pirarucu (Arapaima gigas) rendeu ao biólogo brasileiro João Victor Campos-Silva, de 36 anos, o Prêmio Rolex de Empreendedorismo- 2019 Rolex Awards Laureate, em cerimônia realizada em Washington, nos Estados Unidos, na sexta-feira (14).

Foram mais de mil candidatos de 111 países. O Rolex Awards há mais de 40 anos apoia pessoas que atuam na preservação das espécies naturais e seus habitats e que protegem o patrimônio cultural. A famosa marca de relógio suíça consagrou o que considera feito extraordinário nas categorias ambiente, exploração, ciência e tecnologia.

Junto com João Victor, foram premiados um neurocientista francês, um especialista em TI de Uganda, um biólogo molecular do Canadá e uma conservacionista da Índia.

Projeto ajuda 60 comunidades

João Victor fez seu doutorado a respeito do impacto social, econômico e ambiental do manejo do Arapaima gigas. O projeto sobre manejo da espécie nasceu disso. Em 2018, ficou em primeiro lugar na categoria mestre e doutor do Prêmio Jovem Cientista 2018, com o mesmo projeto de conservação do pirarucu.

O pirarucu é um dos maiores peixes de água doce do mundo. Pode chegar a 3 metros de comprimento e pesar até 200 quilos. Nativo da Bacia Amazônica, vive em lagos e rios afluentes, de águas claras e sem fortes correntezas. Mas o número de sua espécie foi diminuindo devido à pesca predatória, levando o animal à beira da extinção.

O Instituto Mamirauá, organização social fomentada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), foi a instituição que implementou os acordos de pesca que possibilitaram a recuperação populacional da espécie na região do Médio Solimões, na Amazônia Central.

O trabalho deu tão certo que permitiu a recuperação de 30 vezes mais o número de pirarucu local. Antes do projeto, a espécie saltou de 2.507 a 190.523 espécimes na área abarcada pelo manejo na região do Médio Solimões. A proteção do território também permitiu o aumento de populações de peixe-boi e tartarugas-gigantes.

“Ninguém pensará no verde se sua vida estiver mergulhada no vermelho. Ao proteger o pirarucu, a segurança alimentar das comunidades é garantida, assim como a renda e o amplo leque de benefícios sociais. Tudo isso combinado faz com que as comunidades rurais se comprometam ao proteger os ambientes aquáticos, o que garante também a recuperação do pirarucu”, afirma João Victor.

Assista ao vídeo do projeto de João Victor na Amazônia:

Por: Sabrina Rodrigues
Fonte:
O Eco

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