Suspeito de liderar atentado contra agentes do Ibama e Exército é reincidente em outros crimes

Desmatamento na Terra Indígena Cachoeira Seca do Iriri. Foto: Juan Doblas/ISA.

Acusado de liderar um grupo que atentou contra a vida de fiscais do Ibama e de ameaçar incendiar caminhão do Exército, em Placas, no oeste do Pará, o madeireiro Wesley Pádua de Oliveira teve pedido de revogação de prisão preventiva negada pelo juiz federal Érico Rodrigo Freitas Pinheiro, da Justiça Federal em Santarém. Wesley está preso desde setembro, quando foi decretado mandado de busca e a apreensão em função dos atentados que liderou.

Segundo o Ministério Público Federal, o acusado tem uma extensa ficha criminal e responde há 5 ações penais, todas ligadas ao seu trabalho à frente da Madeireira Nova Aliança LTDA, localizada no Bairro Saudade, em Placas(PA).

Wesley Pádua de Oliveira já foi denunciado duas vezes por desmatamento ilegal, manutenção de depósito ilegal de produtos florestais, receptação qualificada, queimada de florestas, invasão de terras públicas (esbulho), usurpação de patrimônio da União e furto qualificado.

Em 2016, o Ibama embargou a Madeireira Nova Aliança LTDA, que possuía em depósito 1.985,31m³ de madeira em toras e 371,16m³ de madeira serrada, sem licença válida e que teriam sido extraídas da Terra Indígena Cachoeira Seca do Iriri, do povo Arara, localizada em Altamira, Placas e Uruará. Na ocasião, a defesa de wesley alegou que a madeireira estaria no nome de sua esposa dele, Edileuza Pereira de Oliveira, mas servidores do Ibama afirmam que o próprio Wesley estaria à frente da gestão do negócio irregular. Ainda segundo o Ibama, houve referência ao nome de Wesley como dono da madeira quando a fiscalização abordou os trabalhadores que realizaram o desmatamento.

Atentado contra o Ibama e Exército

No dia 15 de julho, no município de Placas, agentes do Ibama detectaram que a Madeireira de Wesley voltou a operar sem autorização, desrespeitando o embargo. Durante a fiscalização, os agentes foram acuados por um grupo que se encontrava na madeireira. Dois servidores conseguiram sair e na busca pela ajuda do Exército, mas uma viatura do Ibama foi perseguida pelo grupo, que estavam com motocicletas e um caminhão dirigido por Cristiano de Sousa Paiva, conhecido como Metralha e figura carimbada pelos agentes da autarquia federal por liderar recorrentes tumultos contra fiscalizações ambientais na região.

O caminhão conseguiu alcançar as viaturas do Ibama, fechando-lhe o caminho e impedindo a passagem. Com o caminho bloqueado, Cristiano Paiva desceu, pegou galões de combustível e pneus velhos na carroceria do caminhão e derramou líquido no veículo do órgão ambiental, que só não pegou fogo porque os fiscais conseguiram manobrar a viatura e fugir.

Mesmo conseguindo ajuda do Exército, isso não foi o bastante para inibir as ações do grupo. Segundo informações dos militares ouvidos nas investigações, Cristiano Paiva jogou o caminhão carregado de madeira para cima do caminhão do Exército na tentativa de fazer com que o veículo militar saísse da rodovia.

Ainda assim, as equipes do Exército e do Ibama conseguiram chegar à delegacia da Polícia Federal, sob o comando do delegado Gecivaldo Vasconcelos Ferreira. A delegacia acabou sendo cercada pelo grupo, que ameaçou atear fogo no veículo do Exército e do Ibama. O tumulto acabou após os militares ameaçarem atirar contra quem se aproximasse do caminhão.

A situação durou doze horas.

Agentes do Ibama ficaram sitiados na delegacia das 11h às 23h e só conseguiram deixar o local após uma negociação com uma comissão de moradores.

Em setembro, a Justiça decretou a prisão dos envolvidos. Wesley foi preso na operação de cumprimento de mandados de prisão. Cristiano não foi encontrado e é considerado foragido.

Até o encerramento desta matéria, ((o))eco tentou entrar em contato com a defesa de Wesley Pádua de Oliveira, mas não obteve êxito.

Wesley Pádua de Oliveira prestará depoimento à Justiça no dia 23 de outubro, onde serão ouvidas também as testemunhas listadas pelo Ministério Público Federal (MPF).

Por: Sabrina Rodrigues
Fonte: O Eco

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