Lideranças criticam o garimpo em terras indígenas durante encontro na UnB

Etnia Munduruku denunciou invasões e garimpo ilegal. Grupo protesta contra regularização da mineração em terra indígenas e exploração de recursos hídricos da Bacia do Rio Tapajós.

Lideranças indígenas em encontro na UnB — Foto: Nicole Angel/ G1
Lideranças indígenas em encontro na UnB — Foto: Nicole Angel/ G1

Lideranças do povo indígena Mundukuru se reuniram nesta quinta-feira (21), na Universidade de Brasília (UnB), para debater sobre os projetos de regularização da mineração em terra indígenas e a exploração de recursos hídricos da Bacia do Rio Tapajós.

O grupo denunciou invasões e o garimpo ilegal. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a região do Tapajós é a que mais concentra garimpo ilegal em toda a Amazônia. “Em grande parte, o garimpo está dentro das terras Mundukuru”, diz o instituto.

“Nós estamos aqui muito apavorados por causa dos garimpeiros que invadiram nosso território”, afirmaram lideranças.

O projeto que as lideranças citam é a de regulamentação da mineração em terras indígenas que está sendo estudada pelo governo federal. O documento deve ser enviado para análise do Congresso Nacional.

Há cerca de 4 mil quatro mil pedidos para a exploração do subsolo em 214 terras indígenas, incluindo três parques indígenas, o de Tumucumaque, entre Amapá e Pará; o de Araguaia, no Tocantins; e o de Aripuanã, em Mato Grosso. Ouro, ferro, cobre e alumínio estão entre os minerais mais requeridos para exploração.

Povos indígenas em encontro na UnB — Foto: Nicole Angel/ G1
Povos indígenas em encontro na UnB — Foto: Nicole Angel/ G1

Durante o encontro, as lideranças afirmaram que o garimpo ilegal está contaminando o rio Tapajós e traz consequências para a população indígena. Eles trouxeram uma garrafa com água turva, que disseram ter sido coletada do rio.

“Essa água suja está trazendo morte, doença para o nosso povo, nossos peixes estão cheios de mercúrio”, disse a líder Alessandra Mundukuru.

Segundo a líder Maria Leusa Monokuru, os indígenas pediram o cancelamento do licenciamento de mineração ao Ministério Público.

“Estamos aqui mostrando a nossa resistência, que a gente não vai deixar, vamos continuar resistindo contra a destruição do nosso território e da nossa natureza”, afirmou.

Garrafa com água do rio Tapajós trazida por lideranças indígenas para encontro na UnB — Foto: Nicole Angel/G1
Garrafa com água do rio Tapajós trazida por lideranças indígenas para encontro na UnB — Foto: Nicole Angel/G1

Demarcação dos territórios indígenas

Além das críticas feitas ao projeto de mineração, os indígenas cobram a demarcação das terras indígenas.

De acordo com o Instituto Socioambiental (ISA), organização que lida com temas ligados a questões sociais e ambientais com foco central na defesa de bens e direitos sociais, atualmente no Brasil existem 722 terras indígenas, em diferentes fases do processo de demarcação:

  • 486 homologadas pela presidência da República;
  • 74 declaradas pelo Ministério da Justiça;
  • 43 identificadas e aprovadas pela presidência da Funai;
  • 119 em processo de identificação pela Funai.

A maior parte das terras indígenas estão nas regiões Norte e Centro-Oeste.

Líder indígena Alessandra Mundukuru durante encontro na UnB — Foto: Nicole Angel/ G1
Líder indígena Alessandra Mundukuru durante encontro na UnB — Foto: Nicole Angel/ G1

Por: Nicole Angel
Fonte:
G1

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