Ministra da Agricultura critica Moratória da Soja, mas diz que discussão cabe ao mercado

Pacto entre indústrias para não comprar grãos de áreas desmatadas da Amazônia após 2008 está sendo questionado por agricultores, que querem o fim da medida.

Ministra Tereza Cristina participou de evento em Londrina — Foto: Reprodução/RPC
Ministra Tereza Cristina participou de evento em Londrina — Foto: Reprodução/RPC

Moratória da Soja, um pacto entre tradings e indústrias para não comprar a oleaginosa cultivada em áreas desmatadas na Amazônia após 2008, foi criticada na terça-feira (12) pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

Em entrevista a jornalistas no Paraná, ela qualificou a moratória, que existe há mais de dez anos, como um “absurdo”, argumentando que o país tem leis rigorosas para determinar onde se pode plantar soja.

A afirmação vem em momento em que a associação de produtores Aprosoja Brasil realiza um movimento com o objetivo de acabar com a moratória, afirmando que possui o apoio do governo do presidente Jair Bolsonaro para tal.

“Moratória da Soja é um assunto privado, entre os privados. Eu acho um absurdo, nós temos… como mostrar onde a nossa soja é produzida e se pode ser produzida naquele local”, disse a ministra, acrescentando que o Código Florestal do país já é rigoroso o suficiente.

O Código Florestal brasileiro permite, por exemplo, que um proprietário utilize até 20% de suas terras para a agricultura na região Amazônica.

Procurada para comentar o assunto na quarta-feira (13), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que reúne as companhias se comprometeram com a moratória, não quis comentar o assunto.

Em seus comentários, Tereza disse que o Brasil possui a agropecuária mais sustentável do mundo, mas vê como um desafio mostrar isso ao exterior, “para aqueles que teimam ainda em achar que o Brasil não faz da sua agricultura mais sustentável”.

“Precisamos mostrar, a gente tem que ter dados claros e como comprovar, para que hoje o Brasil não sofra como vem sofrendo. É o que eu disse: nós precisamos de tecnologia, dizer ‘olha, tá aqui, nós fazemos certo’. Quem faz errado no Brasil não é o produtor rural”, afirmou a ministra.

Para indústria, acordo é importante

A moratória, por sua vez, é considerada por comerciantes, processadores da oleaginosa e entidades ambientais como importante para limitar o avanço da soja em nova áreas do Bioma Amazônico, preservando florestas.

Neste ano, quando as queimadas estavam no foco do noticiário, a Moratória da Soja foi citada como exemplo de programa que evita o desmatamento.

Em comentário na última segunda-feira, durante evento do setor de biodiesel, o presidente da Abiove, André Nassar, disse que moratória é a única ferramenta de traders para o monitoramento de um eventual uso de áreas desmatadas na Amazônia para o cultivo de grãos, e que a política continuará a ser utilizada.

Nassar concordou que já há legislações no Brasil que abrem caminho para outros tipos de supervisão da agricultura na Amazônia, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), mas disse que ainda precisam ser totalmente implementadas. Ele acrescentou que o desenvolvimento desse sistema e a proposição para seu uso não são papéis de operadores.

O Ministério da Agricultura afirma que o CAR vem sendo implementado e foi reaberto prazo para a regularização das áreas.

Estudo recente da ONG Imaflora e Trase diz que, dos 21,5 milhões de hectares de plantações de soja na Amazônia e no Cerrado, aproximadamente 2,6 milhões de hectares (12%) estão em propriedades rurais ainda não cadastradas no CAR.

Segundo o estudo, é difícil determinar por que algumas propriedades ainda não foram cadastradas, mas é possível que problemas ligados à conformidade com a lei, tais como o desmatamento ilegal ou passivos ambientais, sejam prováveis motivações para o não cadastramento.

Fonte: G1

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Um comentário em “Ministra da Agricultura critica Moratória da Soja, mas diz que discussão cabe ao mercado

  • 17 de novembro de 2019 em 15:03
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    Sim, a ministra Tereza Cristina merece apoio!
    Entendendo um pouco o assunto, digamos que para quem acha que as “girafas e elefantes estão se queimando na Amazônia é relevante.
    Nossas políticas referente ao desmatamento são rigorosas mas infelizmente não estão funcionando.
    Por acordos locais ou mesmo politica afrouxada. Corre mesmo a Deus dará.
    Mas esta moratória é ridícula, senão imbecil, pois não se correlaciona com as leis locais.
    Como informa, devemos traçar meios de informações para alienados nossos nossas regras sim.
    Uma boa forma seria através da arte, tão vangloriadas pelos europeus e americanos.
    Que tal convidar algum grande cineasta para rodar um excelente filme de ação e deixar demonstrar nossas leis ambientais?
    Uma pequena estratégia, porém interessante.
    Grande abraço.

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