Organizações responsabilizam desmonte da política ambiental pela alta do desmatamento

Organizações emitiram notas públicas diante da alta de 29,5% do desmatamento na Amazônia

Desmatamento da Amazônia no Acre. Foto: © Peter Muller/Bild

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados pelo governo federal nesta segunda-feira (18), o desmatamento da Amazônia foi de 9.762 km² entre 1º de agosto de 2018 e 31 de junho de 2019. Os estados que mais contribuíram para esse desmatamento foram Pará, com 3.862 km², seguido por Mato Grosso, com 1.685 km², Amazonas, com 1.421 km² e Rondônia, com 1.245 km², que somaram 8.213 km² de desmatamento, o que equivale cerca de 84% do total. Desde 2008 não víamos uma taxa tão alta, essa é a terceira maior alta percentual da devastação na história, ficando atrás apenas de 1995 (95%) e 1998 (31%). 

O número é uma estimativa do sistema Prodes, que produz anualmente a taxa oficial do desmatamento, entre agosto de um ano a julho do ano seguinte, usando esse período que abrange as épocas de chuva e as de seca na região amazônica. No primeiro semestre de 2020 a taxa será consolidada pelos dados do Deter, o monitoramento do Inpe que acompanha a devastação em tempo real, na qual alega que o disparo na devastação continuará e poderá ser ainda maior em 2020.

“Os números do Prodes mostram que o desmatamento saiu do controle.  E pior, mais de 90% dele é ilegal. É algo tão inconcebível como a perda do controle de inflação.  E é injustificável quando o país conta com o conhecimento e as ferramentas para combater o desmatamento, mas o governo se esquiva de usá-los”, afirmou Tasso Azevedo, coordenador-técnico do Observatório do Clima e da iniciativa MapBiomas.

Segundo o ministro do meio ambiente Ricardo Salles o aumento no desmatamento tem relação com atividades econômicas ilegais. Ele deu uma declaração na segunda-feira (18) durante a apresentação dos dados do Prodes em São José dos Campos.

“Ao contrário dos números divulgados nos últimos anos, vimos 29% [de aumento].  Ele está longe do que queríamos, mas está longe dos números de três casas decimais que foram divulgados. Queremos um ambientalismo de resultados e, sem isso, vamos continuar vendo isso. Precisamos de alternativa de economia sustentável para aquela região da Amazônia”, defendeu o ministro. Salles irá se reunir nesta quarta-feira (20) para tratar ações e medidas contra o desmatamento.

Organizações ambientais, no entanto, responsabilizam o desmonte ambiental do governo atual que reduziu orçamentos e fiscalização na região. Segundo o Greenpeace  “as empresas que compram produtos como soja e gado do Brasil também devem se posicionar contra essa política antiambiental desastrosa de Bolsonaro, além de acelerarem seus esforços para retirar completamente o desmatamento de suas cadeias produtivas”. 

O governo de Bolsonaro tem tido um descaso com a fiscalização de alertas de desmatamento, desde sua campanha eleitoral defendeu a ilegalidade ambiental,  chegou a dizer que “a Amazônia pode ser explorada por todos nós” e que a preservação do meio ambiente tem que casar com os negócios. 

Segundo Adriana Ramos, assessora de Políticas Públicas do Instituto Socioambiental (ISA) “o governo também tem uma imensa responsabilidade por ter paralisado o único instrumento de financiamento voltado a redução do desmatamento na Amazônia, que era o Fundo Amazônia.”

Em junho os alarmantes números do Deter fez Bolsonaro chamar o Inpe de “mentiroso”, colocando em dúvidas os dados da instituição e exonerou o diretor, Ricardo Galvão, insinuando que ele estaria a serviço de alguma ONG, Bolsonaro disse ainda que dados tão alarmantes não deveriam ser divulgadas sem a consulta prévia dele, para não prejudicar a imagem do Brasil. 

Por: Nicole Matos
Fonte: Amazônia.ogr.br
Edição: Aldrey Riechel

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