Uma Funai em defesa de não indígenas

O Conselho de Indígenas Missionário (Cimi) repudiou a fala do presidente da Funai que durante evento no Mato Grosso do Sul defendeu fazendeiros e ruralistas.

O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marcelo Augusto Xavier, fez a seguinte fala durante uma audiência pública sobre questões fundiárias no Mato Grosso do Sul em 8 de novembro: “Estou colocando pessoas de minha confiança nas bases agora justamente para atender aos senhores. Então eu quero trazer aqui o recado a todos vocês que confiem no presidente da Funai”.

Na frase proferida, Marcelo não se referiu aos indígenas, povos que ele deveria atender e proteger, mas sim aos fazendeiros, líderes de sindicatos rurais patronais e parlamentares ruralistas. O evento também contou com a presença do Secretário Especial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Nabhan Garcia.

Em nota, representantes do Cimi repudiaram o ocorrido: “Pela função que exerce, o presidente do órgão indigenista do Estado brasileiro deveria visitar e dar sequência às denúncias dos Guarani Kaiowá; ou marcando presença e dando apoio aos povos de alguma das 153 terras indígenas invadidas por não índios, entre janeiro e setembro deste ano, a fim de ajudá-los no combate a essas invasões criminosas. No entanto, se colocou junto e orientou os fazendeiros a denunciar os povos indígenas já tão maltratados e desassistidos.”

O Mato Grosso do Sul é o estado com maiores índices de violência e assassinatos de lideranças indígenas no Brasil por conflitos em campo. Conforme levantamento feito pelo Cimi, a invasão de terras indígenas no Brasil aumentou mais de 100% nos primeiros nove meses de 2019, relativamente a todo o ano de 2018.

Fonte: Amazônia.org.br

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