Investidores e empresas pedem a manutenção da moratória da soja

Em vigor há 13 anos, moratória da soja se tornou alvo de críticas da ministra da Agricultura, Teresa Cristina e de grupos ligados ao agronegócio. Foto: Marilze Venturelli Bernardes.

Investidores e empresas, entre elas, as varejistas Tesco e Carrefour, estão entre os 84 nomes que enviaram uma carta ao presidente Jair Bolsonaro pedindo a manutenção da moratória de soja na Amazônia. O apelo vem num momento em que crescem pressões pelo fim do acordo. A carta foi enviada na terça-feira (03).

A moratória da soja é um acordo entre produtores e associação de exportadores de graus onde essas entidades se comprometeram a não comercializar nem financiar soja produzida em áreas que foram desmatadas na Amazônia a partir da assinatura do pacto, em 2006.

“Queremos poder continuar nos abastecendo ou investindo na indústria brasileira da soja, mas se a moratória da soja na Amazônia não for mantida, isso colocará em risco o nosso negócio com a soja brasileira”, escreveram os signatários na carta.

A carta é coordenada pelo Farm Animal Investment Risk & Return, uma rede de investidores que orienta esses agentes sobre os riscos e onde aplicar os seus investimentos.

Os investidores não querem sua imagem associada ao desmatamento da Amazônia. O Brasil é o maior produtor e exportador de soja do mundo. O grão é usado na fabricação de óleo de cozinha, ração de animais e em uma série de produtos, inclusive para o mercado vegano. Para os signatários da carta, a moratória da soja fez com que o produto fosse bem aceito no mercado.

“Outros benefícios da moratória da soja tanto para o Brasil e quanto para o mercado global incluem: o fornecimento de uma solução eficiente para garantir a conformidade legal da soja com a Amazônia; a atração de investimento para o setor brasileiro de soja; e proteção do ciclo da água em que todo o setor agrícola é dependente. Sem a moratória, todos esses benefícios estão em risco”, termina a carta.

A pressão em pról do fim da moratória é liderado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja), que ameaçou ingressar com uma reclamação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) contra a acusando a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). A Aprosoja acusa a Abiove de promover reserva de mercado.

Em novembro, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, se manifestou publicamente contra a moratória.

Por: Sabrina Rodrigues
Fonte:
O Eco

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