Na Conferência do Clima, Brasil chega pequeno e sai minúsculo

Representado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o país ficou marcado como um dos vilões da COP25

Ativistas do Greenpeace Espanha protestam na COP25, em Madrid, Espanha. No cartaz, os dizeres com a mensagem “Nossa política está poluída”. © Pablo Blazquez / Greenpeace

A COP25, a Conferência do clima da ONU em Madrid, foi a mais longa da história. As negociações se arrastaram até a tarde do domingo, dia 15, resultado da falta de empenho de alguns países, entre eles o Brasil, para se chegar a acordos efetivos para lidar com a emergência climática que vivemos.

O Brasil chegou na COP pequeno e saiu minúsculo. Representado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o país ficou marcado como um dos vilões da cúpula. O Brasil, antes respeitado por sua diplomacia, encontrou-se acuado e em defesa de normas que enfraqueceriam o Acordo de Paris.

A mensagem que o ministro endereçou aos países ricos na Conferência, pedindo recursos financeiros para conter o desmatamento, vem na contramão do que é preciso ser feito nacionalmente. Vale lembrar que o país já tem esses recursos, como os do Fundo Amazônia, mas foram bloqueados por responsabilidade do próprio governo.

Além disso, o governo vem demonstrando sua incapacidade de investir em uma política adequada para conter as queimadas, o avanço desenfreado do desmatamento e o aumento da violência contra os povos indígenas. Este portfólio de retrocessos ambientais rendeu ao Brasil o “prêmio” o fóssil do ano da Organização Can (Climate Action Network), oferecido ao país que menos fez pelo clima 2019.

No ano passado, o relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, alertou para a urgência da contribuição dos países em reduzir as emissões de gases de efeito estufa, e mostrou que o compromisso assumido no Acordo de Paris não será suficiente para conter a temperatura do globo a 1.5 grau Celsius até o fim do século.

Milhões nas ruas

Desde então, a mobilização de pessoas pelo clima aumentou radicalmente, culminando em milhões de pessoas nas ruas em setembro deste ano em todo o mundo. O movimento climático, e especialmente os jovens, estão mudando os rumos de como a sociedade deve se comprometer com os direitos ao meio ambiente e a uma vida saudável.

Jovens ativistas do Engajamundo entregam Fakebook, em referência às mentiras ditas pelo ministro do Meio Ambiente. © Engajamundo

Na COP de Madrid, as negociações entre os países pareciam fazer parte de uma realidade distante daquela tomada pelas vozes que ecoavam nos corredores da Conferência. Na quarta-feira, dia 11, cerca de 300 ativistas, entre jovens e povos indígenas de todo o mundo, realizaram um protesto pacífico gritando por justiça climática. Poucos minutos depois, foram expulsos pelos seguranças.

Em uma outra manifestação, na sexta-feira, dia 13, jovens ativistas do Engajamundo fizeram uma cerimônia para entregar ao ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, o Fakebook – O Livro de Mentiras, produzido por Greenpeace, Climainfo e Observatório do Clima para mostrar as falácias de Salles e do governo anti-ambiental.

Podemos concluir que as duas últimas semanas mostraram um desequilíbrio entre o que as ruas estão pedindo e a falta de ação de países que, pressionados por agentes econômicos a não mudarem o sistema econômico em prol da redução dos combustíveis fósseis e da contenção do desmatamento, continuam ignorando a emergência climática.

Em 2020, quando o Acordo de Paris começa a operar, as negociações, especialmente em relação aos acordos sobre o mercado de carbono, devem avançar. Até a próxima COP, em Glasgow, espera-se que os países atualizem suas metas de NDCs (contribuições nacionais para conter as emissões de gases de efeito estufa), considerando que as atuais não serão capazes de conter o aquecimento global.

Por: Fabiana Alves
Fonte: Greenpeace

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