Empresa responsável por crimes de Barcarena recebe medalha de ouro no Pará

A mineradora Imerys é acusada por moradores da região por não tomar medidas de cuidado socioambiental

Rios e igarapés têm níveis altos de metais tóxicos em Barcarena – Igor Brandão/Agência Brasil

A mineradora francesa Imerys, que faz extração de caulim em Barcarena e Ipixuna do Pará, na região Norte, recebeu, nesta terça-feira (18), a Medalha de Ouro em Responsabilidade Social Corporativa (RSC). A honraria é concedida pela Ecovadis, empresa de RSC que faz classificações de sustentabilidade para cadeias de suprimentos globais.

A mineradora, ao lado da Vale e Hydro Alunorte, no entanto, é acusada por moradores da região de Barcarena de não tomar medidas de cuidado socioambiental na região.

Sandra Amorim, do Movimento dos Atingidos pela Mineração (MAM) afirma que “os grandes empreendimentos, a Vale, a Hydro, a Imerys, todas essas empresas que estão dentro do Brasil, aqui em Barcarena, eles não estão preocupadas com a população, eles estão preocupados em ganhar, em lucrar. Então, eles lucram e as mazelas, as doenças, ficam para o povo nativo”.

Na última segunda-feira (17), completou-se dois anos do maior crime ambiental no município: o vazamento da bacia de rejeitos da refinaria Hydro Alunorte, que inundou as comunidades com metais pesados advindos do processo de beneficiamento da alumina.

De acordo um relatório de 2018 do Instituto Evandro Chagas, rios e igarapés de Barcarena têm níveis altos de metais tóxicos. Já naquela época, havia níveis consideráveis de arsênio, chumbo, manganês, zinco, mercúrio, prata, cádmio, cromo, níquel, cobalto, urânio, alumínio, ferro e cobre.

Para Edna Castro, cientista social com doutorado em sociologia pela Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales na França e professora titular da Universidade Federal do Pará (UFPA), os impactos promovidos contra o município podem ser enquadrados em um conceito amplamente utilizado por cientistas latino-americanos para explicar a autorização de morte de um determinado território em nome do desenvolvimento.

“Barcarena se classifica como uma zona de sacrifício ambiental e social”, o que significa que “o impacto gerado é tão forte que ela se caracteriza como se fosse definido que aquela zona pode morrer”.

Desde 2002, ao menos 17 desastres foram cometidos no município envolvendo a norueguesa Norsk Hydro, a francesa Imerys, além da própria Vale. O município também foi atingido pelo vazamento de 700 toneladas do Navio Haidar, onde naufragaram 5 mil bois vivos contaminando não só Barcarena, mas também Abaetetuba, no nordeste do Pará.

Em nota, a empresa mineradora afirmou que o recebimento da medalha é uma “grande conquista” e que reflete “a forma como operamos nossos negócios, considerando plenamente os direitos humanos, as práticas trabalhistas, a ética e a sustentabilidade em toda a cadeia de valor”.

Por: Caroline Oliveira
Fonte: Brasil de Fato

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