Alta no desmatamento ameaça acordo do Brasil com a UE

Segundo o jornal Valor Econômico, o embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel disse ontem que, se o governo brasileiro não reduzir o desmatamento na Amazônia aos níveis de 2017, o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia (UE) não será revalidado pela parte europeia.

Witschel definiu como uma “tragédia” difícil de ser revertida a situação do mecanismo de desenvolvimento e proteção da Amazônia. Ele está diretamente envolvido nas negociações do Fundo Amazônia que está sem efetuar desembolsos há mais de um ano, e tem cerca de R$ 1,5 bilhão parado sob a guarda do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Ricardo Salles, apresentou tentativas de modificar a composição do Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa), retirando a representação da sociedade civil no Cofa e concentrar o poder de decisão no governo federal, alegando que isso tornaria o fundo mais estratégico e orientado aos negócios, mas Noruega e Alemanha não concordam que, para isso, as ONGs tenham que ser eliminadas do processo.

Cerca de 93% da quantia acumulada é de doações do governo da Noruega, que poderia pedir de volta a soma que está parada no BNDES. Witschel disse ao Valor que a Noruega e Alemanha estão esperando uma proposta séria do Ministério do Meio Ambiente sobre como continuar com o Fundo Amazônia, mas já busca outros interlocutores dentro do governo. Ele citou especificamente os ministros da Agricultura, Tereza Cristina, da Economia, Paulo Guedes, e que tem conversado com o Ministério Público Federal e com os governadores da Amazônia Legal.

As leis que tramitam no Congresso como,mineração em terras indígenas, perdão a desmatadores,redução de unidades de conservação, além da inação diante da explosão de garimpos na Amazônia e do desrespeito aos direitos indígenas e comunidades tradicionais, são muito Mal recebidas na Noruega, isso faz com que a reputação do governo de Jair Bolsonaro seja péssima no país. A indicação é que o governo quer mudar a governança do Fundo Amazônia, mas não tem o mesmo empenho para conter o desmatamento.

O embaixador da Alemanha diz que para os doadores, o Fundo Amazônia volta a funcionar assim que sentirem que há sintonia do governo brasileiro em deter o desmatamento de fato. É neste ponto que querem colaborar.

*As informações são do Jornal Valor Econômico

Fonte: Amazônia.org.br

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