“Eu não quero ser assassinada!”, diz Socorro do Burajuba sobre as ameaças que enfrenta em Barcarena

Na série “Vozes que resistem” a ativista relata como é viver trancada dentro de casa por temer por sua vida, por temer ser vítima de pistoleiros
(Foto: Cícero Pedrosa Neto/Amazônia Real)

Maria do Socorro Costa da Silva, mais conhecida como Socorro do Burajuba, nome da comunidade quilombola onde ela vive, é presidenta da Associação de caboclos, indígenas e quilombolas da Amazônia (Cainquiama), no município de Barcarena, no nordeste do Pará.

No novo vídeo da série “Vozes que resistem”, publicado nesta quarta-feira (29), Socorro do Burajuba relata as ameaças que enfrenta desde o ano de 2016 quando começou a denunciar os crimes socioambientais contra as pulações tradicionais de Barcarena. Na ocasião, sua casa foi invadida por policiais militares. Daí as ameaças não deram trégua.

A entrevista com a ativista aconteceu em fevereiro de 2020, antes da Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar que havia uma pandemia do novo coronavírus no mundo. No entanto, Socorro do Burajuba, de 56 anos, já vivia no isolamento dentro de casa bem antes da quarentena imposta pelo vírus letal. O medo que ela sente vem do temor de pistoleiros.

“A gente não quer morrer, mas está morrendo todo dia um pouquinho. A futura geração já morre. E a gente está pedindo socorro, mas parece que ninguém quer ouvir”, diz Socorro sobre as ameaças que sofre.

As ameaças, segundo ela, partem de pessoas insatisfeitas com as denúncias dela e de outros moradores contra poluição ambiental das indústrias de mineração de Barcarena, região metropolitana de Belém. Uma das empresas denunciadas por Socorro é a mineradora norueguesa Hydro Alunorte.

Em 2018, as comunidades quilombolas de Barcarena foram atingidas por uma lama vermelha da bacia de rejeitos de bauxita da Hydro, segundo laudo do Instituto Evandro Chagas. O desastre ambiental, segundo o IEC, aconteceu na madrugada do dia 17 para o dia 18 de fevereiro.

A mineradora Hydro Alunorte, que é de propriedade da multinacional norueguesa Norsk Hydro, nega o vazamento da barragem de rejeitos de bauxita. O caso é investigado pela Justiça do Pará. O Ibama aplicou três autos de infração contra a mineradora pela poluição e lançamento de bauxita no rio Murucupi em multas que somaram R$ 17,1 milhões.

A série “Vozes que Resistem” produz mini documentários para visibilizar a luta de defensores dos direitos humanos ameaçados na Amazônia.

A série da agência Amazônia Real começou com a história de Erasmo Alves Teófilo, presidente da Cooperativa Agricultores da Volta Grande do Xingu, em Anapu, no oeste do Pará.

Ficha técnica
Reportagem e vídeos: Cícero Pedrosa Neto
Fotografia: Cícero Pedrosa Neto
Edição/Montagem: César Nogueira
Projeto Vozes que Resistem
Coordenação geral: Kátia Brasil
Realização: Amazônia Real – 2020

Veja o vídeo

Fonte: Amazônia Real

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