Ministério do Meio Ambiente sugere desconsiderar metas para reduzir queimadas e desmatamento na Amazônia

Proposta tem como objetivo alterar a meta que determinava a redução de 90% do desmatamento até 2023, preservando uma área equivalente a um terço do que foi desmatado entre 2018 e 2019.

Foco de calor direto em floresta, próximo a área recém desmatada, com alerta Deter, em Alta Floresta (MT). Em julho de 2020, monitoramos pontos com alertas do Deter e de pontos de calor, do Inpe, nos estados do Pará e Mato Grosso.

Segundo informações publicadas pelo jornal O Estado de São Paulo, nesta terça-feira (4), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, propôs a redução da meta de reduzir a devastação ambiental no Brasil. Em documento, a equipe de Salles sugere que o objetivo de diminuir o desmatamento e os incêndios ilegais em 90% em todo o País, previsto no Plano Plurianual (PPA) do governo até 2023, seja desconsiderado.

O PPA aprovado pelo Congresso em 2019, contém objetivos a serem conquistados pelo governo num período de 4 anos, até 2023. Nele consta que o desmatamento e incêndios ilegais em todos os biomas brasileiros, incluindo a Amazônia devem ser reduzidos em 90%. O Ministério do Meio Ambiente quer que a nova meta seja proteger apenas 390 mil hectares na floresta amazônica, sem citar nada sobre os outros biomas.

No ofício do Meio Ambiente, enviado em 10 de julho, assinado pelo secretário executivo Luís Gustavo Biagioni, o ministério afirmou que não existem indicadores para “mensurar os resultados” em todo o País. “Os dados anuais e oficiais de monitoramento do desmatamento existem somente para os biomas Amazônia e Cerrado. Não obstante, a qualificação do desmatamento entre ilegal e legal, todavia não encontra-se disponível”, completou o ministério.

A equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, afirma que os parâmetros de preservação podem até ser alterados, mas aponta insuficiência na alternativa apresentada. “Talvez seja o caso de se adotar meta mais abrangente e envolver outros órgãos no programa, transformando-o em multissetorial. Em suma, o desenho desse programa terá de ser discutido no processo de revisão do PPA 2020-2023, previsto para ocorrer a partir de meados de agosto de 2020”, diz nota da Economia.

“Tem-se que a meta proposta para o combate ao desmatamento e incêndio florestal no País objetiva proteger 0,07% da cobertura florestal amazônica com um projeto piloto de pagamento de serviços ambientais da floresta. Dessa maneira, acreditamos que o Programa Floresta+ é relevante, porém insuficiente”, complementa a nota técnica. Através de uma nota o Ministério do Meio Ambiente disse que a meta de o Brasil acabar com o desmatamento ilegal até 2030 está mantida. Segundo a pasta a alteração do PPA, é um ajuste para o período, que não interfere no objetivo final.

“O Brasil já tem meta de redução de 100% do desmatamento ilegal até 2030, a qual está mantida. As metas intermediárias devem indicar os programas que serão utilizados ao longo dos próximos 10 anos para alcançar a meta total e é isso que está sendo ajustado no PPA”, afirmou o ministério na nota.

Fonte: Amazônia.org.br

Deixe um comentário

Um comentário em “Ministério do Meio Ambiente sugere desconsiderar metas para reduzir queimadas e desmatamento na Amazônia

  • 5 de agosto de 2020 em 8:41
    Permalink

    Excelente matéria onde vamos parar com essas politicas

Fechado para comentários.